Algodão em MT sobe com vendedor firme e prêmio sobre a exportação

O algodão mato-grossense entrou em junho com sustentação no físico, mesmo diante de pressão no mercado externo.

Algodão em MT sobe com vendedor firme e prêmio sobre a exportação
Ilustrativa

A quarta alta mensal seguida do algodão expõe um mercado físico mais firme que o externo, com Mato Grosso negociando acima da paridade de exportação e compradores cautelosos.

O algodão mato-grossense entrou em junho com sustentação no físico, mesmo diante de pressão no mercado externo.

O IMEA/MT registrou a pluma disponível em Mato Grosso a R$ 131,69/@ em 02 de junho, alta de 1,02%, enquanto a referência de exportação ficou em R$ 124,59/@ no dia anterior, com avanço discreto de 0,08%.

Essa diferença deixa o mercado interno com prêmio próximo de R$ 7,10/@, perto de 5,7% acima da paridade, um sinal de que o produtor que ainda carrega algodão de melhor padrão mantém poder de negociação e calcula cada lote na ponta do lápis antes de aceitar novas propostas.

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Preço físico ganha força com oferta seletiva

Na leitura do Cepea/Esalq, a firmeza veio da postura mais resistente de vendedores com lotes remanescentes da safra 2024/25, principalmente quando a qualidade atende melhor às exigências da indústria. O indicador do algodão alcançou 424,92 Cent/R$/lb em 02 de junho, com ganho diário de 0,26%, acumulando avanço de 3,31% entre o fim de abril e o fim de maio e renovando o maior patamar nominal desde 16 de junho de 2025.

A liquidez, porém, não acompanhou a mesma intensidade da valorização.

Compradores seguem mais cautelosos, o que reduz o volume de negócios e concentra as operações em acordos pontuais. Para quem precisa repor matéria-prima, a dificuldade está em conciliar qualidade, prazo e preço, especialmente nas praças em que a referência de compra supera a média estadual da pluma disponível.

Praça Valor (R$/@) Var %
Alto Garças R$ 135,84 +1,05
Campo Verde R$ 134,42 +1,14
Rondonópolis R$ 135,13 +1,08
Sorriso R$ 132,53 +0,93
Primavera do Leste R$ 133,17 +1,02

Os subprodutos também reforçam a leitura de mercado ajustado em Mato Grosso. O caroço ficou em R$ 929,50 por tonelada, a torta em R$ 916,63 por tonelada e o óleo em R$ 5.354,75 por tonelada, com variações positivas que ajudam a compor receita na cadeia, embora não mudem o ponto central da semana, que segue sendo a disputa pela pluma de melhor classificação.

Paridade e NYBOT mostram o limite da alta

O prêmio interno ganha relevância porque aparece em um momento de enfraquecimento das telas externas. Na NYBOT, da ICE Futures US, o contrato julho de 2026 encerrou 02 de junho a 77,04 ¢/lb e operou no intraday de 03 de junho a 76,23 ¢/lb, queda de 1,05%.

 

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O câmbio também entra na conta. Com o dólar a R$ 5,02, referência do Banco Central em 02 de junho, a paridade de exportação do IMEA/MT não acompanhou o ritmo do físico, deixando claro que a alta doméstica depende mais da disponibilidade seletiva do que de uma tração vinda de fora. O Cotlook A a 86,25 ¢/lb ajuda a balizar o ambiente internacional, mas não elimina a cautela dos compradores locais.

Para o produtor, o quadro favorece firmeza enquanto houver demanda por lotes superiores. Para a indústria, o espaço de alta fica mais estreito quando a pluma em Mato Grosso se afasta da paridade e as bolsas externas cedem. O equilíbrio dos próximos dias tende a passar pela disposição do vendedor em liberar volume e pela necessidade real de reposição dos compradores.

Agronews