Exportações do agronegócio gaúcho encolhem 4,1% em 2025
Carne bovina foi um dos produtos que sofreu forte impacto das tarifas americanas, aponta a Farsul
A Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) divulgou, nesta quarta-feira (14), os resultados das exportações gaúchas do agronegócio de dezembro de 2025 e do agregado do ano.
Na comparação com dezembro de 2024, houve uma queda de 4,3% no valor exportado – um total de US$ 1,44 bilhão em comparação com US$ 1,5 bilhão no mesmo período de 2024 – e de 5,5% no volume, um total de 2,19 milhões de toneladas; em dez/24, o estado havia exportado 2,3 milhões de t.
O valor total exportado pelo Estado no período foi de US$ 1,99 bilhão, com o agronegócio sendo responsável por 72% deste montante (US$ 1,44 bilhões). Em termos de volume, o agronegócio representou 89% do total estadual no período.
No acumulado do ano, entre janeiro e dezembro de 2025, foram exportados US$ 15 bilhões, um valor 4,1% menor do que o mesmo período do ano anterior.
Guerra comercial com os Estados Unidos e estiagem
As exportações do Rio Grande do Sul encerraram 2025 menores do que iniciaram. A queda tanto no valor quanto no volume se deve principalmente pela baixa oferta de soja em grão, resultado direto da estiagem que atingiu o estado.
O grão teve forte volatilidade no período, já sendo possível ver o impacto da estiagem ainda em maio. O cenário pouco mudou durante o ano, mesmo com um resultado bom apresentado no volume exportado para a China em agosto.
A carne de frango também foi um setor que passou por um período difícil, desta vez com choques sanitários e logísticos. Em maio, a proteína teve sua venda suspensa para o mercado chinês, reflexo da doença de Newcastle, e recuos no mercado do Oriente Médio, graças à gripe aviária.
No segundo semestre, o setor mostrou sinais de recuperação, expandindo mercados na EAU, Japão e Filipinas. Houve uma queda no período, em novembro, graças à atrasos de embarque nos portos, mas em dezembro o fechamento mensal apontou para uma recuperação no Oriente Médio e Europa.
As Filipinas se consolidaram como grande parceiro comercial no setor da carne suína. Em outubro, o país asiático já representava 50% do valor e do volume exportado da proteína, o que fez com que o setor tivesse um bom desempenho, apesar de queda das vendas para a China.
A carne bovina foi um dos pilares sustentadores do setor durante o ano. A China foi o maior comprador durante a maior parte de 2025, mas também houve avanços no mercado das Filipinas e do Reino Unido.

A carne bovina foi um dos produtos que sofreu impacto forte das tarifas americanas, algo parcialmente compensado pelo mercado mexicano e canadense. Em dezembro, na comparação com o mesmo período de 2024, houve desempenho excelente do produto, com aumentos na casa dos três dígitos em valor (131%) e volume (108%).
Os principais parceiros comerciais do estado em dezembro foram a Ásia (sem Oriente Médio), que segue como o principal destino das exportações do agro gaúcho, totalizando US$ 763 milhões e 1,23 milhão de toneladas. Em segundo lugar aparece a Europa, que atingiu US$ 286 milhões, sendo US$ 227 milhões para a União Europeia. Em seguida, a África, que atingiu US$ 99 milhões.
Quanto aos países, a China aparece em primeiro lugar com US$ 448 milhões e participação de 31% no valor. Em segundo lugar, a Bélgica com 4%, Países Baixos com 3,8%, Bangladesh com 3,7%, Vietnã com 3,5% e Filipinas com 3,5%.
Fonte: Ascom Farsul








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