Brasil está a poucos dias de preencher sua cota de carne bovina dos EUA para 2026
Até 5 de janeiro, os exportadores brasileiros já haviam embarcado 47.371 toneladas ao mercado norte-americano, ou 73 porcento de sua cota para 2026, de acordo com o relatório do USDA
O ano comercial internacional de carne bovina de 2026 mal começou, e o Brasil já está perto de preencher toda a sua cota anual isenta de tarifas para o mercado dos Estados Unidos, relata reportagem do portal australiano Beef Central (www.beefcentral.com), com base em dados divulgados pelo Departamento de Agricultura norte-americano (USDA).
Sem um Acordo de Livre Comércio próprio com os EUA, o Brasil abastece o mercado de carne bovina dos EUA sob a pequena cota de 65.000 toneladas da categoria “Outros Países” também ocupada por outros exportadores menores, incluindo Japão, Irlanda e Lituânia.
De acordo com o relatório do USDA, divulgado em 5 de janeiro/26, o Brasil já havia embarcado 47.371 toneladas, ou 73% de sua cota para 2026.
Isso significa que, em algum momento, os importadores dos EUA (ou exportadores brasileiros) serão onerados por uma tarifa adicional de 26,5% sobre as importações fora da cota.
Em contrapartida, diz a Beef Central, a quota bilateral de comércio exterior da Austrália com os EUA este ano é de 378.214 toneladas, das quais apenas 1.600 toneladas (menos de 1%) foram preenchidas até 5 de janeiro.
No ano passado, o Brasil atingiu sua cota para 2025 até 17 de janeiro; em 2024, o ponto de inflexão foi atingido em março e, no ano anterior, em maio.
A carne bovina brasileira remanescente em armazéns frigoríficos alfandegados pode ser um fator relevante este ano, visto que exportadores e importadores buscam escapar do impacto da tarifa – ainda que brevemente.
Segundo ressalta o texto da Beef Central, a escassez de carne bovina produzida nos EUA continua alarmantemente baixa.
Pouco antes do recesso de Natal, Derrell Peel, analista de mercados de carne e gado dos EUA e professor da Universidade Estadual de Oklahoma, afirmou que o relatório de dezembro do USDA sobre o gado em confinamento mostrou um estoque de 11,727 milhões de cabeças em confinamentos nos EUA, uma queda de 2,1% em relação ao ano anterior e o menor patamar de dezembro desde 2017.
Peel afirmou que os estoques de gado em confinamento diminuíram ano a ano durante 13 meses consecutivos, resultando em uma média móvel de 12 meses no nível mais baixo desde outubro de 2018.
Segundo ele, o declínio relativamente lento nos estoques de gado em confinamento mascarou uma queda mais acentuada nas colocações e comercializações de animais nesses confinamentos.
O número de animais colocados em confinamento em novembro caiu 11,2% em relação ao ano anterior e diminuiu 8,6% nos últimos seis meses encerrados em dezembro.
A comercialização de gado terminado em novembro registrou queda de 11,8% em relação ao ano anterior e diminuiu 7,9% nos últimos seis meses em comparação com o ano passado.
Em novembro, a média de colocações de gado em confinamento nos EUA no último ano atingiu o nível mais baixo desde abril de 2016, e a média de comercialização foi a mais baixa desde agosto de 2016, afirmou Peel.
Segundo ele, a média de confinamento e comercialização de gado diminuiu drasticamente em 2025, uma vez que a escassez de animais para engorda foi agravada pela falta de importações de gado mexicano (o comércio foi bloqueado pelos EUA devido ao surto de “mosca carnívora” no país vizinho).









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