Exportações de lácteos da Argentina batem recorde de quase US$ 1 bi, Brasil é o principal destino
As exportações lácteos da Argentina registraram, entre janeiro e julho, um recorde histórico tanto em volume comercializado quanto em receita gerada.
As exportações de produtos lácteos da Argentina registraram, entre janeiro e julho, um recorde histórico, tanto em volume comercializado quanto em receita gerada e em litros de leite equivalentes destinados ao mercado externo. A tendência permite projetar que o ano poderá terminar com o maior nível de vendas externas do setor desde o início dos registros.
Os dados são de um relatório do Observatório da Cadeia Láctea Argentina (OCLA), que apontou que, nos primeiros sete meses do ano, foram exportadas 259.282 toneladas, no valor de US$ 987 milhões. Em termos de litros de leite equivalentes (LLeq), o volume chegou a 1,8348 bilhão de litros, com aumentos de 24,8%, 18,4% e 20,4%, respectivamente, em relação ao mesmo período de 2025.
Caso o ritmo seja mantido, as exportações de todo o ano de 2026 poderão chegar a cerca de 3,6 bilhões de litros de leite equivalentes, diante de uma produção nacional estimada em aproximadamente 12 bilhões de litros. Ou seja, uma parcela significativa da produção teria como destino o mercado internacional.
Foto: Infobae
Leite em pó concentra a maior parte das vendas
Por tipo de produto, o leite em pó respondeu por 40,6% do valor exportado entre janeiro e julho. Na sequência aparecem os diferentes tipos de queijos, com 27,8%, enquanto outros produtos — como doce de leite, manteiga, óleo de manteiga e soro — representaram 19,3%. Os 12,3% restantes correspondem a produtos incluídos na categoria de confidenciais, entre eles lactose, caseína e iogurtes.


Em volume, tanto o leite em pó quanto os queijos apresentaram crescimento em relação ao mesmo período do ano passado: 29,5% e 15,8%, respectivamente. A concentração geográfica das exportações também é significativa. O Brasil absorveu 51,2% das exportações argentinas de lácteos nos primeiros sete meses do ano, muito acima dos demais destinos. Na sequência aparecem Argélia, com 9,9%; Chile, com 7,6%; Arábia Saudita, com 2,5%; Uruguai, com 2,4%; China, com 2,2%; Paraguai, com 1,9%; Colômbia e Indonésia, ambas com 1,7%; e Venezuela, com 1,6%. Os demais mercados, somados, representam 17,3%.
O desempenho de julho apresentou uma particularidade: em relação a junho, as exportações recuaram 10,9% em toneladas e 7,9% em dólares, enquanto o volume em litros de leite equivalentes caiu 8,8%. No entanto, na comparação com julho de 2025, o resultado foi positivo. O volume exportado pela Argentina cresceu 17,4% na comparação anual, a receita em dólares aumentou 10% e os litros de leite equivalentes avançaram 5,1%. Considerando esse último indicador, as exportações representaram, em julho, 23% da produção total de leite. No acumulado dos primeiros sete meses do ano, a participação foi ainda maior: 28,7% da produção.
O recorde das exportações ocorre em um contexto de preços médios mais baixos por tonelada. Entre janeiro e julho, o valor médio de exportação foi de US$ 3.807 por tonelada, 5,1% inferior ao registrado no mesmo período de 2025. A queda foi ainda mais acentuada no leite em pó em geral: o preço médio nos primeiros sete meses ficou em US$ 3.671 por tonelada, 7,1% abaixo do ano anterior.
Mercado interno argentino
Em relação ao consumo interno, a variação mensal do volume de vendas registrou aumento de 2,4% em julho, percentual que também foi observado na medição em litros de leite equivalentes. No entanto, ao analisar a média diária dentro dessa variação mensal, observa-se uma queda de 0,9% tanto em volume quanto em litros equivalentes, o que sugere que o mês teve menos dias úteis ou de atividade em comparação com o anterior.
Na comparação anual, o mercado interno apresentou uma recuperação mais expressiva: o volume de vendas cresceu 6,9%, enquanto os litros de leite equivalentes aumentaram 3,7% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Já no acumulado entre janeiro e julho, o relatório aponta um leve crescimento de 0,9% em volume e de apenas 0,1% em litros de leite equivalentes. Isso indica que, apesar da melhora mensal e na comparação anual, o resultado acumulado dos primeiros sete meses do ano permanece praticamente estável.
As informações são do Infobae, adaptadas pela equipe MilkPoint.












