Arroz a R$ 80 reacende cautela sobre próxima safra

A decisão sobre a nova safra ainda envolve despesas

Arroz a R$ 80 reacende cautela sobre próxima safra
ilustrativa

A volta do arroz à faixa de R$ 80 por saca reacendeu a percepção de melhora no setor produtivo, mas ainda não elimina as dúvidas sobre a rentabilidade da próxima safra. Segundo Sergio Cardoso, analista da cadeia de arroz, a recuperação das cotações pode levar produtores a rever decisões de plantio para 2026/27, enquanto custos e riscos produtivos seguem relevantes.

A intenção inicial divulgada pelo IRGA indica aproximadamente 861,8 mil hectares de arroz no Rio Grande do Sul, abaixo dos 891,9 mil hectares cultivados na safra anterior. Até poucas semanas atrás, o sentimento no campo apontava para uma redução maior. Com a melhora dos preços, porém, surgem sinais de produtores avaliando manter ou até ampliar a área.

Cardoso alerta para o risco de interpretar a alta das cotações como recuperação completa das margens. Dados do CEPEA mostram que, em agosto, considerando a produtividade típica de Camaquã e Uruguaiana, a receita já superava o custo operacional, mas ainda permanecia abaixo do custo total de produção.

A decisão sobre a nova safra ainda envolve despesas com óleo diesel, fertilizantes, defensivos, crédito, irrigação e mão de obra. Também há risco climático. O IRGA alerta para uma primavera mais chuvosa no Estado, com possibilidade de janelas menores de semeadura, atraso no plantio e efeitos sobre produtividade e manejo.

Na avaliação do analista, o principal perigo está na sensação de segurança provocada pelo preço atual. Se a recuperação estimular nova expansão da área, a colheita poderá ocorrer com maior oferta. Por isso, a referência de R$ 80 por saca não deve ser analisada isoladamente, já que preço melhor não significa necessariamente margem melhor. A questão central passa a ser qual valor será necessário na colheita para que a próxima safra feche a conta.