VLI investe R$ 60 milhões para ampliar manutenção ferroviária
Oficina no Espírito Santo terá capacidade para 300 atendimentos anuais e dará suporte à operação de cargas na Estrada de Ferro Vitória a Minas
A VLI concluiu a ampliação de sua oficina ferroviária em Cariacica (ES), com investimento de R$ 60 milhões, para aumentar a capacidade de manutenção de locomotivas utilizadas no transporte de cargas pela Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM). A unidade, que passa a realizar reparos preventivos e corretivos leves e a fabricar peças e componentes para vagões, terá capacidade estimada de 300 atendimentos por ano.
A modernização, concluída em outubro, faz parte da reorganização operacional da companhia na ferrovia administrada pela Vale. Desde 2025, a VLI atua como Agente Transportador Ferroviário de Cargas (ATF-C), modelo que permite a empresas operar composições próprias em malhas concedidas a terceiros, mediante acordos específicos.
A ampliação da estrutura de manutenção busca reduzir o tempo de imobilização das locomotivas e aumentar a disponibilidade da frota, em um corredor que conecta regiões produtoras de Minas Gerais ao sistema portuário do Espírito Santo.
“Ao assumirmos a manutenção direta dos nossos ativos, garantimos maior disponibilidade da frota e redução nos tempos de parada”, afirma Daniel Schaffazick, diretor de Operações do Corredor Leste da VLI.
Corredor Leste cresceu 10,5% em 2025
A ampliação da oficina ocorre após um período de crescimento da movimentação ferroviária no Corredor Leste da VLI, formado por trechos da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) e da Estrada de Ferro Vitória a Minas.
Em 2025, o corredor movimentou mais de 16 bilhões de toneladas por quilômetro útil (TKU), avanço de 10,5% em relação ao ano anterior, segundo dados divulgados pela companhia em abril deste ano. O indicador considera o volume transportado e a distância percorrida pelas cargas.
O desempenho também se refletiu nas operações portuárias. No Terminal de Produtos Diversos (TPD), localizado no Porto de Tubarão, em Vitória, a movimentação de grãos, farelos e fertilizantes cresceu 14% em 2025.
Além dessas mercadorias, o corredor atende fluxos de insumos e produtos das indústrias siderúrgica e petrolífera, o que amplia a importância da disponibilidade de locomotivas e vagões para a regularidade das operações.
Novo modelo de operação ferroviária
A ampliação da oficina integra o plano de investimentos de R$ 600 milhões anunciado pela VLI em julho de 2025 para assumir diretamente o transporte de carga geral na EFVM. Na ocasião, a companhia informou que aproximadamente R$ 530 milhões seriam destinados à aquisição de locomotivas e vagões, enquanto outros R$ 70 milhões seriam aplicados em adequações das instalações ferroviárias.
Desde o início da transição operacional, no final de 2024, a VLI adquiriu 50 locomotivas e 1.000 vagões, além de assumir serviços operacionais em 17 pátios ferroviários e a condução de trens destinados aos fluxos de carga geral.

Até então, o transporte dessas cargas na EFVM era realizado com locomotivas e maquinistas da Vale. Pelo novo arranjo, a VLI utiliza seus próprios equipamentos e profissionais, enquanto a mineradora permanece responsável pela infraestrutura e pelas obrigações previstas no contrato de concessão.
O modelo ATF-C foi estabelecido pela Lei das Ferrovias, de 2021, e regulamentado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A modalidade permite a prestação de serviços de transporte ferroviário desvinculada da exploração da infraestrutura, abrindo espaço para diferentes operadores em uma mesma malha.
Expansão gera 60 empregos
A ampliação da oficina de Cariacica também resultou na criação de 60 postos de trabalho operacionais e de apoio, elevando o quadro da unidade de aproximadamente 180 para 240 profissionais. Considerando todo o projeto de atuação como ATF-C, a VLI informa ter gerado cerca de 650 empregos diretos no Espírito Santo e em Minas Gerais.
Parte das contratações envolveu profissionais sem experiência anterior no setor ferroviário, que passaram por treinamentos técnicos realizados pela própria companhia, com apoio do Senai no Espírito Santo.
Segundo a VLI, as mulheres representam aproximadamente 25% das contratações do projeto, percentual que chega a 30% entre os profissionais que atuam ao longo da malha ferroviária, inclusive em funções de manutenção.
Agência Transporte Moderno











