Mercado do boi gordo segue perdendo força
Ritmo de queda nos preços da arroba ganha intensidade nas regiões brasileiras, refletindo as incertezas em relação ao mercado externo após o recuo dos embarques à China
O mercado físico do boi gordo continua pressionado, com viés de baixa sobre a arroba nas principais praças brasileiras, informam as consultorias Agrifatto e Scot, que monitoram diariamente os negócios no setor pecuário.
Nesta quinta-feira (25/06), a Agrifatto apurou queda em 6 das 17 regiões acompanhadas: AC, MS, MT, PA, PR e SC. Nas demais, o quadro foi de estabilidade, acrescenta a consultoria.
Pelos dados da Scot Consultoria, no mercado paulista, o boi gordo sem padrão-exportação e o “boi-China” registraram desvalorização de R$ 3/@ nesta quinta-feira, fechando o dia cotados em R$ 342/@ e R$ 347/@, respectivamente (valores brutos, no prazo).
A novilha gorda, diz a Scot, também recuou R$ 3/@ em São Paulo, para R$ 329/@, enquanto a vaca gordo teve retração diária de R$ 2/@, citada em R$ 318/@.

“Os frigoríficos reduziram o ritmo das compras e alongaram as escalas de abate”, afirma a Scot, referindo-se ao mercado paulista.
Preenchimento da cota chinesa preocupa frigoríficos
Entre as indústrias que atuam na exportação, continua a consultoria, há preocupação em relação às vendas para a China diante da possibilidade de esgotamento da cota de salvaguarda no curto prazo.
“Parte dos frigoríficos relata não ter fechado novos acordos com compradores chineses e, por essa razão, apresentam menor necessidade de compra imediata”, ressalta a Scot, acrescentando que o escoamento da carne bovina no mercado interno segue lento, reflexo do menor poder aquisitivo da população nesta reta final do mês.
De acordo com levantamento da Agrifatto, na média nacional, as escalas de abate das indústrias permaneceram atendendo entre oito e nove dias úteis.
“No curto prazo, os frigoríficos seguem comprando abaixo da média em várias regiões produtoras, mantendo pressão negativa sobre o mercado”, reforça a Agrifatto.
Menor oferta de boi de cocho
Por outro lado, a menor intenção de confinamento pode reconfigurar a relação entre oferta e demanda, observa a consultoria.
“As incertezas nas exportações, sobretudo para a China, somadas à menor atratividade dos contratos futuros, têm elevado a cautela do produtor e reduzido o volume de animais destinados à terminação em cocho”, informa a Agrifatto.
Com menor entrada de gado no sistema, diz a consultoria, a oferta de animais terminados tende a ficar mais ajustada.
Dessa maneira, afirma a Agrifatto, embora o cenário atual permaneça adverso ao pecuarista, cresce a expectativa de recuperação da arroba no último trimestre de 2026, sustentada por uma disponibilidade mais restrita de boi gordo.
“Alguns indicadores começam a sugerir possível alteração no quadro nos próximos meses”, enfatiza.
Mercado futuro em queda
A intensa pressão baixista observada no mercado físico influenciou os contratos futuros do boi gordo na B3, que fecharam a sessão de quarta-feira (24/6) em terreno negativo pelo segundo dia consecutivo.
O papel com vencimento em julho/26 liderou as perdas entre os principais contratos, encerrando o pregão a R$ 332,40/@, com desvalorização de 1,19% em relação ao fechamento anterior.













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