Zarc do milho é atualizado com novas classes de solo e bases climáticas
Revisão amplia a precisão do zoneamento, altera janelas de plantio e reforça a gestão dos riscos climáticos.
O Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para a cultura do milho foi atualizado com mudanças na classificação dos solos e nas bases climáticas utilizadas para o cálculo dos riscos de cultivo. As novas regras foram publicadas no Diário Oficial da União na quinta-feira (10) e passam a valer para todos os estados brasileiros. Também foram atualizadas as portarias do Zarc para o consórcio milho-braquiária.
A principal alteração está na classificação dos solos. O zoneamento deixa de utilizar três grupos, definidos pela textura (arenoso, médio e argiloso), e passa a adotar seis classes baseadas na capacidade de água disponível (AD1 a AD6). Segundo a Embrapa, a mudança torna a ferramenta mais precisa ao representar com maior fidelidade os diferentes ambientes de produção.
Além disso, a base climática foi ampliada com a incorporação de nove anos adicionais de dados meteorológicos, incluindo informações de temperatura, precipitação e evapotranspiração, além da expansão do número de estações utilizadas nos estudos. A atualização busca refletir os efeitos da maior variabilidade climática e da frequência crescente de eventos extremos, como secas, excesso de chuvas e geadas.
De acordo com a Embrapa, as mudanças impactam diretamente as janelas recomendadas de plantio. Na primeira safra, algumas regiões registraram atraso de pelo menos dez dias nas datas indicadas. Já na segunda safra, especialmente nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste, houve redução da janela de semeadura em algumas áreas devido à menor disponibilidade de chuvas e ao aumento das temperaturas. No Sul, por outro lado, o aumento das temperaturas reduziu o risco de geadas, ampliando o período recomendado para o plantio em determinadas localidades.
O Zarc é utilizado como referência para orientar o produtor sobre as épocas de menor risco climático para o plantio e também serve de base para a contratação de crédito rural e de seguro agrícola.

A atualização também contempla o Zarc do consórcio milho-braquiária nos estados onde esse sistema de produção é mais consolidado, principalmente nas regiões Centro-Oeste e Sudeste. Segundo a nova nota técnica, o cultivo consorciado favorece a integração lavoura-pecuária, melhora a cobertura do solo, aumenta a retenção de água, contribui para a manutenção da matéria orgânica e reduz os riscos de perdas provocadas por eventos climáticos extremos.
A Embrapa destaca que o milho-braquiária mantém as mesmas janelas de plantio do milho cultivado de forma isolada. No entanto, recomenda a adoção de boas práticas de manejo, como a escolha adequada da espécie forrageira, o uso de sementes de alta qualidade e o controle eficiente de plantas daninhas, para evitar competição entre as culturas e garantir o melhor desempenho do sistema produtivo.













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