Medida de Trump para a carne bovina pode fazer do Brasil “o único vencedor”, diz analista
Retirada temporária de tarifas sobre a proteína importada pelos EUA poderá favorecer unicamente os exportadores brasileiros, afirma o analista australiano Simon Quilty
Na última sexta-feira (21/8), o presidente dos EUA, Donald Trump, compartilhou nas redes sociais a decisão de importar, nos próximos 90 dias, “até 300.000 toneladas de carne bovina sem tarifa fora da cota”, medida que busca reduzir “o preço da carne moída para as famílias trabalhadoras norte-americanas”.
O australiano Simon Quilty, renomado analista do setor pecuário mundial, disse que o Brasil será, talvez, “o único vencedor” caso a medida de Trump seja mesmo colocada em prática.
“O Brasil está atualmente pagando uma taxa de 26,4%, mas é questionável quanta carne bovina adicional eles poderiam enviar para os Estados Unidos [com essa política]”, disse ele.
“Não há realmente nenhuma vantagem para a Austrália, que está enviando carne bovina para os EUA sem tarifas e com cerca de 75% de nossa alocação [de cota anual]”.
Na avaliação de Quilty, a nova medida de Trump pode reduzir o preço geral da carne bovina no mercado norte-americano, o que, consequentemente, diminuiria as cotações da proteína australiana, devido à saturação desse mercado de carne magra nos Estados Unidos.
Relatório aponta vantagens aos países sul-americanos
Em seu relatório mais recente para a Meat and Livestock Australia, o Steiner Consulting Group afirmou que, até o momento, os Estados Unidos importaram mais de 1,2 milhão de toneladas de carne bovina de diversos países, um aumento de 14,5% em relação ao ano passado.

Segundo a empresa, a Austrália foi o maior fornecedor, exportando mais de 300 mil toneladas.
O relatório afirmou que os preços da carne bovina importada já estavam em queda e que esperava que as cotações da carne bovina magra australiana “provavelmente fossem impactados negativamente”, uma vez que a remoção das tarifas daria aos “fornecedores sul-americanos mais flexibilidade para oferecer descontos e competir por negócios”.
O relatório concluiu que a pressão para “enviar o máximo de carne bovina possível para os EUA” distorceria significativamente o mercado e que os produtores de carne bovina dos EUA sairiam perdendo.












