Queda do milho pode pressionar cadeia da carne e da ração em Goiás

Redução de 31,4porcento no milho segunda safra ameaça elevar os custos da alimentação animal e preocupa produtores de carne

Queda do milho pode pressionar cadeia da carne e da ração em Goiás
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Menor produção de milho pode refletir nos custos da avicultura, suinocultura e pecuária de corte em sistemas de confinamento (Foto: reprodução)

A carne produzida em Goiás pode enfrentar uma nova pressão de custos após a quebra do milho na segunda safra. A redução de cerca de 4 milhões de toneladas do cereal, principal componente das rações, acende alerta para a cadeia da proteína animal, com possível impacto para produtores de aves, suínos e para a pecuária de corte em sistemas de confinamento. O cenário ocorre mesmo com o avanço da área plantada. Goiás cultivou 5% mais grãos, mas deve colher 11,2% menos nesta safra, conforme a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Segundo a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), ainda não é possível calcular o impacto financeiro da redução, já que o resultado dependerá do comportamento dos preços, da logística e do mercado nos próximos meses.

Para o assessor técnico da Faeg, Lucas Lopes de Castro, o aumento da área cultivada não foi suficiente para garantir maior produção. “Área cultivada e produtividade nem sempre evoluem na mesma direção. Nesta safra, o principal fator responsável pela redução da produção foi a expressiva queda da produtividade das culturas de segunda safra, especialmente do milho”, afirmou.

A Conab estima que Goiás produza 8,7 milhões de toneladas de milho segunda safra no ciclo 2025/2026, contra um volume 31,4% maior no período anterior. A redução ocorreu principalmente pela combinação entre clima adverso, atraso no plantio e menor investimento em tecnologia nas lavouras.

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Milho segunda safra teve retração de 31,4% e foi responsável por quase toda a redução da produção estadual (Foto: reprodução)

Entre abril e maio, regiões produtoras enfrentaram períodos prolongados de restrição hídrica, com intervalos de 50 a 60 dias sem chuvas significativas durante fases decisivas do desenvolvimento das plantas. O atraso na colheita da soja também levou parte das áreas a ser semeada fora da janela ideal, aumentando a exposição do milho ao risco climático.

Segundo Castro, a falta de água foi o principal fator de perda de produtividade, mas outros problemas agravaram o cenário. “A redução no uso de fertilizantes e defensivos diminuiu a capacidade das lavouras de responder aos estresses climáticos e fitossanitários”, explicou.

Além da queda na oferta, a menor disponibilidade do cereal preocupa os setores que utilizam milho na formulação de rações. Produtores de aves, suínos e bovinos em sistemas intensivos acompanham o mercado diante da possibilidade de aumento nos custos de alimentação.

Para os próximos ciclos, a Faeg aponta que a recuperação da produtividade dependerá da retomada dos investimentos tecnológicos, do respeito à janela de plantio e da adoção de estratégias para reduzir os riscos provocados pela instabilidade climática.