Existe apenas uma laranja com Indicação Geográfica no Brasil

Reconhecimento levou em conta características únicas de solo, clima e tradição dos produtores

Existe apenas uma laranja com Indicação Geográfica no Brasil
Ilustrativa

O Brasil é líder mundial na produção e exportação de laranja. Ainda assim, apenas uma região do país possui uma Indicação Geográfica reconhecida para laranjas.

Trata-se da laranja da Região de Tanguá, no Rio de Janeiro. Em 2022, ela recebeu do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) o registro de Denominação de Origem (DO), uma das categorias mais rigorosas de Indicação Geográfica.

Na época, em 2022, o reconhecimento marcou a 100ª IG registrada no Brasil e fez da região a primeira — e até hoje única — do país a obter a certificação para laranjas.

A área reconhecida abrange os municípios de Tanguá, Itaboraí, Rio Bonito e Araruama. As variedades certificadas são Seleta, Natal Folha Murcha e Natal Comum, todas da espécie Citrus sinensis.

Segundo os estudos que embasaram o registro, feitos pela Embrapa, os frutos se destacam pela maior doçura, cor mais pronunciada, elevada suculência e maior rendimento de suco. Essas características estão associadas a fatores naturais, como os solos, o clima e o regime de chuvas da região, além do conhecimento acumulado pelos produtores ao longo das gerações.

Os pesquisadores também identificaram uma combinação rara de fatores que ajuda a explicar a fama da fruta.

As análises mostraram que as laranjas da região apresentam baixa acidez e elevada concentração de açúcares, resultado das condições climáticas e das características dos solos locais. Não por acaso, elas são conhecidas popularmente como as laranjas mais doces do Brasil.

Para obter a certificação, pesquisadores da Embrapa realizaram análises ambientais, químicas e sensoriais das frutas. Os resultados comprovaram que as condições locais influenciam diretamente a composição e a qualidade das laranjas.

O reconhecimento também levou em conta práticas tradicionais dos citricultores da região. Uma delas é a colheita com o pedúnculo, o conhecido "cabinho", acompanhado de algumas folhas da laranjeira, característica preservada pelos produtores locais há gerações.

Outro diferencial é o destino da produção. Ao contrário das grandes regiões citrícolas brasileiras, voltadas principalmente para a indústria, a maior parte das laranjas da Região de Tanguá é destinada ao consumo in natura, valorizando atributos como sabor, aparência e suculência.

A conquista da Denominação de Origem ajudou a valorizar a produção regional e reforçou a identidade de uma área que tem na citricultura uma de suas atividades mais tradicionais.

O que é uma Denominação de Origem?

A Denominação de Origem é um tipo de Indicação Geográfica concedida a produtos cujas qualidades ou características dependem essencialmente do meio geográfico onde são produzidos.

Isso inclui fatores naturais, como solo e clima, e fatores humanos, como técnicas e conhecimentos desenvolvidos na região. No caso da laranja de Tanguá, foi justamente essa combinação que garantiu o reconhecimento oficial.