Milho brasileiro pode perder espaço no exterior?

O mercado de commodities atravessa um ano marcado por fortes movimentações

Milho brasileiro pode perder espaço no exterior?
Ilustrativa

A proximidade da colheita da safrinha amplia as dúvidas sobre o espaço que o milho brasileiro terá no mercado internacional nos próximos meses. Segundo Marcos Rubin, CEO e fundador da Veeries, a disputa pelas exportações já começou e deve exigir mais do que preços competitivos do Brasil.

O mercado de commodities atravessa um ano marcado por fortes movimentações, e o milho aparece no centro das atenções diante do avanço da oferta nos principais países produtores. Com a segunda safra brasileira prestes a entrar em colheita, a questão central passa a ser o tamanho da demanda externa que ainda estará disponível quando os volumes nacionais chegarem ao mercado.

A competitividade em preço segue como condição básica para garantir negócios, mas o cenário atual indica que esse fator, sozinho, pode não ser suficiente. A avaliação considera principalmente o comportamento dos concorrentes diretos do Brasil, em especial Argentina e Estados Unidos, que já dão sinais de forte presença no comércio global.

Na Argentina, a safra caminha para um novo recorde, o que reforça a disponibilidade de milho no mercado internacional. Os embarques realizados em abril já começam a mostrar a dimensão da oferta argentina e indicam maior concorrência para o produto brasileiro no período de entrada da safrinha.

O ponto mais relevante, porém, vem dos Estados Unidos. Os norte-americanos já venderam cerca de 74 milhões de toneladas de milho, volume considerado recorde absoluto para este momento do ano. A estimativa é que esse número ainda possa crescer entre 10 milhões e 12 milhões de toneladas até o fim da safra.

Na prática, esse movimento sugere uma antecipação da demanda global. Parte dos compradores que tradicionalmente buscaria milho brasileiro nos próximos meses pode já ter garantido produto em outros mercados. Nesse ambiente, a tendência é de maior pressão dos compradores para originar o milho do Brasil, especialmente em um momento de oferta ampla e disputa mais acirrada pelas exportações.