Boi gordo: não há negócios acima nem abaixo dos preços de referência

“De um lado, a indústria tenta pressionar os preços; de outro, o produtor retém a oferta e defende a arroba”, explica a Agrifatto

Boi gordo: não há negócios acima nem abaixo dos preços de referência
Ilustrativa

Com as duas pontas do mercado (pecuaristas e frigoríficos) optando pela cautela, os preços do boi gordo “andaram de lado” nas principais praças brasileiras, informam nesta quarta-feira (18/3) os analistas da Agrifatto e da Scot Consultoria, que acompanham diariamente as movimentações do setor pecuário.

“Com pastagens em boas condições, o pecuarista não se vê pressionado a vender, mantendo a oferta controlada”, relata a Agrifatto.

Na prática, reforça a consultoria, a comercialização de lotes terminados ocorre de forma gradual, sem disposição para negociar abaixo das referências de mercado.

“De um lado, a indústria tenta pressionar os preços; de outro, o produtor retém a oferta e defende a arroba”, acrescenta a Agrifatto.

Como reflexo, as escalas de abate dos frigoríficos brasileiros permaneceram encurtadas, ao redor de 6 dias, na média nacional, limitando o avanço das programações e reforçando a sustentação dos preços da arroba, enfatiza a consultoria.

Com isso, insistem os analistas, o mercado do boi gordo segue com baixa liquidez, porém com preços firmes para a arroba.

Nova onda de valorização no curto prazo?

Apesar da atual estabilidade nos preços da arroba, os fundamentos do mercado do boi continuam de alta, um reflexo da escassez de oferta de animais para abate, da facilidade do produtor em segurar os lotes no campo (devido às boas condições das pastagens, favorecidas pelas chuvas) e da boa demanda internacional pela carne bovina brasileira.

“Em São Paulo, já se fala em arroba entre R$ 355 e R$ 360 no curto prazo”, destaca a Agrifatto.

Neste momento, pelos dados da consultoria, o macho terminado vale R$ 350/@, no prazo, no mercado paulista, enquanto o valor médio da arroba nas outras 16 regiões monitoradas diariamente está em R$ 331,50/@.

Segundo levantamento da Scot Consultoria, o boi gordo sem padrão-exportação segue cotado em R$ 347/@ no mercado paulista, no prazo. O “boi-China”, por sua vez, é negociado por R$ 350/@.

Futuros voltam a cair

No mercado futuro, os contratos do boi gordo registraram queda no pregão desta terça-feira (17/3) da B3.

O papel com vencimento em abril/26, por exemplo, encerrou a sessão cotado a R$ 345,25/@, com desvalorização de 0,88% em relação ao fechamento anterior.

Carne bovina: consumo perde força

Desde domingo (15/3), quando o movimento foi considerado bom no mercado de São Paulo, as vendas de carne bovina ao consumidor final vêm perdendo força de forma gradual, alcançando níveis muito fracos na última terça-feira.

Tradicionalmente, durante a segunda quinzena do mês, as vendas de cortes bovinos perdem terreno devido ao esgotamento dos salários recebidos no começo do mês.

“A concorrência de proteínas mais baratas, como aves, suínos, ovos e industrializados, segue limitando significativamente o escoamento da carne bovina”, informa a Agrifatto.

No mercado atacadista, diz a consultoria, o cenário é semelhante. “A distribuição de carne com osso opera em ritmo lento desde o início da semana, e o baixo volume de reposição por parte do varejo confirma um mercado enfraquecido”, ressaltam os analistas da Agrifatto.

Na avaliação da consultoria, essa tendência pode se prolongar até o fim de março/26, mesmo com o crédito do vale mensal dos trabalhadores previsto para o dia 20/3.

“Carne velha”

Com isso, informa a Agrifatto, neste momento há acúmulo de mercadorias nos entrepostos de São Paulo, com atrasos de descarregamento de um dia, somados a pedidos de adiamento de cargas negociadas na semana anterior.

“Isso indica que os produtos disponíveis para entrega ainda nesta semana são, em sua maioria, oriundos de produção anterior (‘carne velha’)”, afirmam os analista as Agrifatto, acrescentando: “Também aumentaram as devoluções parciais por questões de qualidade (procurando ‘pelo em ovo’) e as entregas integrais por refrigeração deficiente”.

Sem interesse em reforçar estoques

Nesta quarta-feira (18/3), diz a Agrifatto, a oferta dos produtos bovinos permanece restrita, com exceção do boi castrado, cuja disponibilidade é superior à das demais carcaças.

Ainda assim, afirma a consultoria, os distribuidores paulistas não demonstram interesse em reforçar estoques, já que estão abastecidos até sexta-feira (20/3).

“Até o dianteiro para consumo in natura, que vinha apresentando boa demanda, perdeu força”, informa a Agrifatto, ainda referindo-se ao mercado paulista.

Preços dos cortes com previsão de estabilidade

Para as negociações desta quinta-feira (19/3), o volume destinado ao atacado de carne com osso indica manutenção dos níveis da semana anterior.

“Apesar da firmeza na arroba, os preços tendem à estabilidade, embora com sustentação limitada, refletindo a baixa liquidez”, observa a Agrifatto.