Movimento quer elevar inseminação artificial a 30porcento e impulsionar pecuária até 2030
Liderado pela Asbia e parceiros do setor, o Movimento G30 prevê inseminar 21 milhões de fêmeas bovinas por ano, integrando genética, nutrição e crédito.
Ampliar de cerca de 23% para pelo menos 30% a parcela de fêmeas bovinas em idade reprodutiva inseminadas no Brasil até 2030 é a meta do Movimento G30. Idealizada pela Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia), a iniciativa reúne entidades do setor privado, instituições públicas, pesquisadores e empresas para estimular a adoção de tecnologias reprodutivas nas cadeias do leite e da carne.
A meta representa um avanço de sete pontos percentuais sobre o índice atual. Considerando a estimativa de 70 milhões de fêmeas em idade reprodutiva apresentada pelo movimento, atingir 30% corresponderia a inseminar 21 milhões de animais por ano, aproximadamente 4,9 milhões a mais, caso essa base do rebanho permaneça estável.
De acordo com o presidente da Asbia, médico-veterinário Luis Adriano Teixeira, a proposta do G30 é ampliar a adoção integrada de tecnologias como fator de competitividade da pecuária brasileira. “Sabemos que, em muitas propriedades, a tecnologia reprodutiva funciona como uma das portas de entrada para a tecnificação, porque permite ao produtor incorporar genética superior ao rebanho e constatar, de forma concreta, os ganhos que a tecnologia proporciona. Mas esse é apenas o começo”, expõe.
Genética depende de nutrição, sanidade e manejo
A estratégia do G30 prevê associar o avanço das tecnologias reprodutivas à melhoria das condições de produção. A proposta é que a incorporação de genética seja acompanhada de assistência técnica e de práticas que permitam converter o potencial dos animais em desempenho no campo. “Para que a genética expresse todo o seu potencial e se traduza em melhores resultados reprodutivos e produtivos, é fundamental ser acompanhada de nutrição adequada, sanidade, manejo eficiente e uma gestão cada vez mais qualificada da propriedade. É essa visão integrada que orienta o G30 e estimula a evolução conjunta das ferramentas que interferem no desempenho do sistema de produção”, enfatiza Teixeira.

A coordenação ficará a cargo de um Comitê Gestor formado pela Asbia, Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Associação Brasileira de Andrologia Animal (ABRAA), Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais (Asbram), Associação Nacional dos Confinadores (Assocon), Sociedade Brasileira de Tecnologia de Embriões (SBTE) e Embrapa.
O grupo definirá as diretrizes e as ações prioritárias. As frentes previstas incluem capacitação, pesquisa, inovação, políticas públicas e assistência técnica, com participação de instituições de ensino, entidades de classe, indústria e produtores rurais.
Foto: divulgação
Potencial de redução das emissões
O movimento também relaciona a eficiência reprodutiva à redução do impacto ambiental da pecuária. Estudos liderados por pesquisadores da USP e da Embrapa, citados pelo G30, indicam que a inseminação artificial em tempo fixo (IATF) pode reduzir em até 37% a pegada de carbono por litro de leite , em comparação com sistemas baseados exclusivamente em monta natural.
Os percentuais se referem às condições avaliadas nos estudos e à emissão por unidade produzida, não a uma redução uniforme para todas as propriedades. “Tecnologia isolada gera avanço individual, mas quando está integrada às condições adequadas de manejo e gestão, o potencial de transformação é muito maior, tanto em produtividade quanto em sustentabilidade para a cadeia produtiva”, destacou o presidente da Asbia.
Segundo Teixeira, a proposta é colocar diferentes atores da cadeia em uma mesma direção, com a tecnologia reprodutiva integrada às demais práticas que determinam o desempenho da produção. “O produtor está no centro desse processo, mas precisamos de todos trabalhando para transformar potencial produtivo em resultados concretos”, ressaltou.
Crédito para ampliar adoção no campo
Entre os instrumentos que o G30 pretende mobilizar estão os recursos do RenovAgro, programa de crédito rural voltado à produção agropecuária de baixo carbono. Segundo as informações divulgadas pelo movimento, a linha contempla investimentos em melhoramento genético animal, com possibilidade de financiamento de até R$ 5 milhões por produtor, conforme as condições de enquadramento. A iniciativa se dirige a uma atividade que, de acordo com os dados apresentados pelo G30, reúne 218 milhões de bovinos de corte e de leite e movimenta R$ 510 bilhões em Valor Bruto da Produção.
O levantamento também aponta produção brasileira de 12,4 milhões de toneladas de carne bovina e 38 bilhões de litros de leite em 2025, além da exportação de 3,5 milhões de toneladas de carne bovina. “Os números da atividade já são excelentes, mas ampliar a eficiência reprodutiva contribuirá para acelerar ainda mais o melhoramento genético e, por consequência, incrementar a produtividade. Isso representa mais leite e, consequentemente, mais rentabilidade para os pecuaristas e receita para o país”, frisou Teixeira.
As informações são do O Presente Rural, adaptadas pela equipe MilkPoint.














