B3 reforça expectativa de alta para o boi gordo
Guilherme Jank, analista sênior de pecuária da Datagro, avalia os sinais do mercado futuro e explica se este é um bom momento para travar o preço da arroba
O mercado futuro do boi gordo mantém uma perspectiva de valorização para os próximos meses e já sinaliza preços próximos das máximas nominais históricas.
Na B3, os contratos apontam para uma trajetória de alta até o início de 2027, cenário que abre uma questão importante para o pecuarista: diante desses valores, este é um bom momento para travar o preço da arroba?
Em análise no programa Mercado Pecuário, da última quarta-feira (26/8), Guilherme Jank, analista sênior de pecuária da Datagro, destacou que a curva futura reflete uma combinação de expectativas envolvendo menor disponibilidade de bovinos, possível retomada mais forte das compras chinesas e comportamento do câmbio.
B3 sinaliza boi gordo acima de R$ 370/@
Segundo Jank, a expectativa da bolsa é claramente altista até o começo do próximo ano. Entre os contratos negociados, fevereiro de 2027 aparecia como o vencimento de maior preço na curva, cotado a R$ 376,75/@, embora ainda com baixa liquidez.
“A expectativa do mercado é de uma recuperação de preços, em linha com o que ele viu entre o final do ano passado e o começo deste ano, talvez num quadro de oferta um pouco mais restrito em função da trajetória do nosso ciclo pecuário”, afirmou.
O analista observa que o câmbio também ajuda a explicar os valores projetados pela B3. Pelas contas apresentadas durante a entrevista, um boi equivalente a US$ 70/@ poderia alcançar máximas históricas próximas de R$ 370-371/@ com o dólar entre R$ 5,28 e R$ 5,29, patamar não muito distante dos R$ 5,15 observados no momento da análise.
É hora de travar o preço do boi gordo?
Diante das cotações futuras, Jank ressaltou que a decisão deve partir principalmente dos custos de produção e da margem que o pecuarista consegue assegurar. Para ele, a gestão de risco não deve ter como objetivo acertar o preço máximo do mercado, mas proteger uma rentabilidade considerada satisfatória.
“O conceito de gestão de risco vem muito na linha de você garantir uma rentabilidade mínima e não maximizar a sua rentabilidade”, explicou.
Nesse sentido, caso os custos já estejam definidos e os preços futuros ofereçam uma margem atrativa, o analista considera razoável proteger ao menos uma parcela da produção. “Se o seu custo está num ponto em que a margem está relativamente atrativa, acho que, sim, é razoável travar um pouco”, disse.



Jank lembra que os preços projetados para o fim do ano estão próximos das máximas nominais históricas, embora os custos também estejam mais elevados.
Por isso, mais do que tentar antecipar se a arroba ainda subirá ou recuará, a estratégia passa por avaliar a rentabilidade disponível para cada operação. “Para quem tiver o custo fechado e quiser travar um pouco, é sempre uma oportunidade”, reforçou.
Assista à entrevista completa com Guilherme Jank no Mercado Pecuário e confira a análise sobre o cenário do boi gordo, oferta de animais, exportações, reposição, mercado futuro e as perspectivas para os próximos meses.












