Trump ameaça tarifa de 25% a países que negociam com o Irã; Brasil pode ser afetado

Em 2025, empresas brasileiras importaram US$ 84,5 milhões e exportaram US$ 2,9 bilhões ao Irã, com destaque para soja, milho e açúcar

Trump ameaça tarifa de 25% a países que negociam com o Irã; Brasil pode ser afetado
Ilustrativa

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (12) mais uma medida com potencial de abalar os fluxos do comércio internacional: qualquer país que realizar transações comerciais com a República Islâmica do Irã sofrerá uma tarifa de 25% sobre suas exportações aos Estados Unidos. 

O Brasil está na lista de países com relações comerciais com o país persa (veja abaixo os principais). Empresas brasileiras importaram US$ 84,5 milhões do Irã em 2025, como ureia, pistache e uvas secas. Já as exportações país somaram US$ 2,9 bilhões, com soja, milho e açúcar à frente.    

A informação foi divulgada pelo próprio Trump em uma postagem nas redes sociais, afirmando que a ordem é “final e irrecorrível” e tem efeito imediato. 

Segundo o jornal The Wall Street Journal, o presidente norte americano estaria disposto a autorizar um ataque ao país, enquanto seu entorno tenta convencê-lo a priorizar uma saída diplomática. 

A decisão final pode sair de uma reunião, marcada para esta terça-feira (13). 

O anúncio das tarifas vem no contexto de escalada da convulsão social no Irã, com milhares de pessoas tomando as ruas em protesto contra a ditadura teocrática dos aiatolás, que assumiu o poder em 1979. 

Dez mil pessoas já foram presas e pelo menos 600 manifestantes foram mortos pela repressão policial, segundo organizações de direitos humanos.     

Apesar de os Estados Unidos já manterem um regime de sanções contra o Irã há décadas, a novidade é que agora os parceiros comerciais de Teerã podem ser penalizados economicamente por simplesmente negociar com o país.

Como de hábito, o republicano não detalhou critérios técnicos para a aplicação dessa tarifa nem quando ou como será publicada oficialmente nos registros do governo. 

No entanto, essa nova tarifa de 25% pode se somar a outras taxas já existentes sobre determinados produtos, dependendo da origem e do destino. 

A intenção declarada do governo americano é dissuadir países de manterem relações comerciais com Teerã, em particular exportações de petróleo, alimentos e insumos industriais, já que isso fortaleceria economicamente o país em um momento em que o regime xiita está na corda bamba. 

Quem pode ser afetado

São várias as grandes economias que mantêm relações comerciais com o Irã e que podem ser impactadas se decidirem manter ou ampliar seus laços com Teerã:

•    China: maior parceiro comercial do Irã, especialmente em petróleo; 

•    Índia: importante comprador de combustíveis e produtos industriais iranianos; 

•    Turquia e Emirados Árabes Unidos: parceiros comerciais tradicionais, com fluxos significativos de bens; 

•    Brasil: mantém relações comerciais modestas com o Irã, incluindo exportações de soja, milho, açúcar e carnes, o que poderia ser afetado dependendo da interpretação futura da regra tarifária. 

Repercussão e reações 

A reação internacional foi imediata, com pressões diplomáticas e incertezas quanto ao impacto real da medida. A China criticou mais uma vez a abordagem unilateral dos EUA, como em outras ocasiões, e é esperada resposta formal caso a tarifa afete seus negócios. 

Já o Irã, que enfrenta um dos maiores episódios de protestos internos em décadas, afirmou que está aberto tanto a negociações diplomáticas quanto preparado para conflitos, em um cenário com risco elevado de escalada. 

Autoridades diplomáticas de Teerã, no entanto, já teriam feito contato com Washington na busca de um consenso sobre o caso.   

O que vem pela frente

A medida ainda carece de detalhamento sobre regulamentação e aplicação, e analistas esperam que possam surgir desafios legais ou discussões em fóruns internacionais sobre seu formato. 

A Casa Branca também não publicou um decreto formal imediatamente após o anúncio de Trump, um ponto que aumenta a dúvida para operadores econômicos e governos estrangeiros. 

Enquanto isso, permanece a incerteza sobre como isso afetará o equilíbrio geopolítico global e se outras nações vão adaptar suas estratégias diplomáticas e comerciais para evitar mais penalidades econômicas dos Estados Unidos.