Anea avalia exportações brasileiras de algodão em fevereiro
China responde por 33,8 porcento das compras brasileiras em fevereiro
Um fevereiro de exportações de algodão com volume de 270,5 mil toneladas e receita de US$ 413 milhões foi considerado satisfatório pela Associação Nacional dos Exportadores de algodão (Anea). Os números divulgados no último dia 05 de março, pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Alguns destaques do período animam o setor, como a confirmação da retomada de um consumo mais expressivo pela China, cuja participação está em torno de 33,8%, e a manutenção do ritmo de compras pela Índia, um destino que vem ganhando escala entre os importadores, mesmo com o fim do regime tarifário especial, que vigorou até dezembro. A entidade acompanha com cuidado o cenário geopolítico, que ainda não traz repercussões diretas na exportação, mas aumenta as incertezas em todo o mundo.
Segundo a Anea, apesar do desempenho mensal mais moderado (-1,5% ante o mesmo mês do ano passado), o acumulado da temporada segue positivo. Considerando o período de julho a fevereiro, o Brasil exportou 2,12 milhões de toneladas de pluma, volume cerca de 48 mil toneladas superior ao registrado no mesmo intervalo da safra anterior, quando os embarques somavam 2,07 milhões de toneladas. Para o presidente da Anea, Dawid Wajs, o resultado de fevereiro ficou dentro do esperado para o período. “As chuvas nas origens, principalmente em Mato Grosso, dificultaram a logística. Mesmo assim, no acumulado de julho a fevereiro seguimos um pouco à frente da safra passada, o que é um sinal positivo para o desempenho das exportações”, afirma.
Destinos
Entre os principais destinos do algodão brasileiro, a China se destacou no início de 2026, respondendo por 33,8% das compras brasileiras em fevereiro. Nos dois primeiros meses do ano, os embarques para o país asiático foram o dobro dos registrados no mesmo período de 2025 e, apenas em fevereiro, chegaram a três vezes o volume exportado no mesmo mês do ano passado.
Outros mercados importantes foram Turquia (16,8%), Bangladesh (13,1%), Vietnã (11,5%) e Paquistão (8,4%). Enquanto a Turquia manteve volumes semelhantes aos de 2025, o Vietnã apresentou retração nas compras, em parte devido ao maior consumo de algodão norte-americano naquele mercado. A Índia, tradicionalmente pouco presente entre os importadores, manteve volumes relevantes, indicando que o algodão brasileiro segue competitivo mesmo com a retomada de tarifas de importação naquele país.

Geopolítica
No cenário externo, as tensões no Oriente Médio estão no radar do setor, embora ainda tenham impacto limitado sobre o comércio da fibra. “O maior risco seria um eventual fechamento do estreito de Ormuz, o que poderia pressionar os custos de frete e os preços internacionais de energia. Mesmo assim, o impacto direto sobre o comércio de algodão tende a ser limitado, porque a região não é um grande destino da fibra”, explica. “Um aumento nos custos do petróleo pesa em toda a cadeia. Por outro lado, o petróleo é a matéria-prima do poliéster, principal concorrente do algodão, que é a fibra natural”, acrescenta.
Outro foco de incerteza vem dos conflitos entre Paquistão e Afeganistão, que podem afetar a economia paquistanesa, um dos principais compradores do algodão brasileiro. “Dependendo da situação, também podem abrir oportunidades comerciais para o algodão brasileiro”, afirma. De maneira geral, o presidente da Anea observa que períodos de instabilidade internacional costumam trazer cautela para o consumo global.








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