Produção mundial de carne bovina deve cair em 2026, quebrando ciclo de 5 anos de alta
Brasil deve manter a liderança na oferta global em 2026 e 2027, apesar de estimativas de queda nos dois anos, aponta relatório do USDA
A produção global de carne bovina poderá cair mais de 3% (ou quase 2 milhões de toneladas) em 2026, para 60,223 milhões de toneladas equivalente-carcaça (TEC), marcando a primeira queda após cinco anos consecutivos de crescimento, de acordo com previsões atualizadas do relatório de outubro/26 do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
Por sua vez, em 2027, a produção global da proteína deverá se estabilizar em torno de 60 milhões de TEC.
Brasil deve manter a liderança mundial em 2026 e 2027, apesar da estimativa de reduções anuais na produção de carne bovina.
No relatório de outubro/26, o USDA projetou a produção brasileira em 12,15 milhões de toneladas equivalente-carcaça, queda de 1,78% ante a previsão anterior e recou de 3,61% frente a 2025.
Já a primeira projeção para 2027 indica novo recuo, de 1,65%, para 11,95 milhões de TEC.
Segundo explicações da equipe de analistas do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), esse movimento de queda no Brasil reflete a transição do ciclo pecuário, na qual a retenção de matrizes reduz a disponibilidade de animais para abate e limita a produção de carne.
Ainda assim, ressalta o Imea, o Brasil deverá preservar a liderança mundial, respondendo por 20,18% da produção global em 2026 e por 19,91% em 2027.
Produção dos EUA também recua
O relatório do USDA também reduziu as previsões de produção de carne bovina para os EUA, em ambos os anos. A estimativa para 2026 sofreu queda anual de 4,6% (ou 75 milhões de libras – 34 mil toneladas), para 24,8 bilhões de libras (11,25 milhões de toneladas), o menor total anual desde 2015.
A previsão para 2027 foi reduzida em 160 milhões de libras (72,6 mil toneladas), para 24,7 bilhões de libras (11,20 milhões de toneladas), uma baixa de 0,5% em relação à estimativa de 2026.
O relatório de outubro marcou o oitavo mês consecutivo em que o USDA reduziu a previsão de produção de carne bovina norte-americana para 2026, que agora está cerca de um bilhão de libras abaixo da estimativa do início de 2026.
Na segunda posição, os Estados Unidos também devem reduzir a produção em 2027, porém em menor intensidade (-0,50%), estreitando a diferença em relação ao Brasil. Assim, a retração dos dois maiores produtores de carne bovina deverá pesar sobre a oferta global, projetada em 60,03 milhões de TEC em 2027, queda de 0,32% no comparativo anual.
Em 2027, a produção de carne bovina deverá aumentar na Argentina, Índia e Uruguai. A Argentina, em particular, poderá expandir sua produção em 90 mil toneladas.
Comércio internacional e a dominância do Brasil
De acordo com estimativas do USDA, as exportações globais devem totalizar cerca de 13,9 milhões de toneladas em 2026, enquanto as importações aumentarão em 456 mil toneladas, atingindo o recorde de 12,4 milhões de toneladas.

Ao mesmo tempo, o consumo global de carne bovina poderá diminuir em mais de 1,7 milhão de toneladas em comparação com 2025, quando atingiu o pico de 60,35 milhões de toneladas.
Essas tendências indicam mudanças no equilíbrio global entre produção, consumo e comércio internacional de carne.
O USDA prevê que as exportações brasileiras de carne bovina cairão de 4,15 milhões de toneladas em 2026, para 4,1 milhões de toneladas em 2027.
A influência do Brasil no comércio global de carne bovina permanece substancial. Entre 2021 e 2025, a produção brasileira de carne bovina aumentou de 9,75 milhões de toneladas para mais de 12,6 milhões de toneladas, enquanto as exportações atingiram o recorde de 4,38 milhões de toneladas em 2025.
Nesse período, o Brasil foi responsável por quase 80% do crescimento do comércio internacional de carne bovina, e sua participação nas exportações globais aumentou de aproximadamente 20% para mais de 30%.
Diante da expectativa de estabilização da produção global, a evolução futura do mercado dependerá, em grande parte, da capacidade do Brasil de manter sua posição exportadora, redirecionar embarques e competir em preço em mercados alternativos.











