Algodão brasileiro enfrenta novos desafios globais

O Brasil responde atualmente por 34porcento do comércio mundial de algodão

Algodão brasileiro enfrenta novos desafios globais
ilustrativa

A liderança brasileira nas exportações mundiais de algodão trouxe novos desafios ao setor, especialmente diante da concorrência internacional e da perda de espaço da fibra natural para os materiais sintéticos. A Associação Nacional dos Exportadores de algodão (Anea) fez um balanço positivo do ICA Trade Event 2026, realizado nos dias 14 e 15 de outubro, em Istambul, na Turquia.

O Brasil responde atualmente por 34% do comércio mundial de algodão, contra 7% há menos de uma década. Na safra 2025/26, as exportações alcançaram 3,374 milhões de toneladas, com receita de US$ 5,295 bilhões. Para 2026/27, a Anea projeta embarques próximos de 3,4 milhões de toneladas.

Entre os temas debatidos esteve a reação dos Estados Unidos à perda de participação no mercado. O país busca recuperar competitividade por meio de acordos comerciais e incentivos à indústria têxtil.

Outro desafio é a redução da participação do algodão no consumo mundial de fibras, que passou de 37% para 21% nas últimas duas décadas. Para a Anea, ampliar investimentos em pesquisa, inovação e políticas de incentivo será fundamental para recuperar mercado.

O encontro também marcou a preparação para a ICA 2027, que será realizada em São Paulo. Será a primeira vez que o Brasil receberá o evento, considerado um dos principais encontros internacionais do setor algodoeiro.

"Precisamos avançar na aprovação da Cide Têxtil e investir em pesquisas que tornem o algodão mais versátil, permitindo sua utilização em segmentos nos quais ainda temos pouca participação. Se queremos que a fibra natural recupere espaço, temos que criar condições para isso, tanto por meio da inovação quanto de políticas que incentivem seu consumo", afirmou o presidente da Anea, Dawid Wajs.