Preços do boi gordo recuam, após semanas seguidas em alta
“Boi-China” agora vale R$ 368/@ no mercado paulista, enquanto animal sem padrão-exportação é negociado por R$ 363/@, segundo apuração da Scot
Após um período longo em ritmo de alta, os preços do boi gordo recuaram nesta quinta-feira (23/4) em importantes regiões brasileiras, incluindo a praça de São Paulo.
A Scot Consultoria, que acompanha diariamente o setor pecuário, detectou desvalorização de R$ 2/@ nas cotações do boi paulista, tanto para o animal sem padrão-exportação quanto para o “boi-China”, que agora valem R$ 363/@ e R$ 368/@, respectivamente (valores brutos, no prazo).
“A oferta de boiadas aumentou, reflexo de uma ponta vendedora mais atenta, precavida e aproveitando os bons preços vigentes”, informam os analistas da Scot.
Porém, observa a consultoria, no geral, a disponibilidade de animais prontos para abate não é abundante, pois muitos pecuaristas ainda aproveitam as boas condições das áreas de pastagens para segurar os lotes, à espera de preços mais elevados.
Do lado comprador, diz a Scot, o período pós-feriado trouxe tranquilidade, com negociações mais compassadas.
“Parte dos frigoríficos esteve fora das compras até quarta-feira (22/4), aguardando melhor definição do mercado, enquanto os mais ativos já tentavam negócios abaixo das referências, amparados por escalas mais confortáveis em relação às últimas semanas e um escoamento de carne no mercado doméstico apenas regular”, relata a Scot, referindo-se ao mercado de São Paulo.
Mais pressão de baixa?
Na avaliação da Scot, os recuos desta quinta-feira ainda não definem uma tendência para o mercado, mas, com escalas mais alongadas e o período de fim de mês – quando as vendas de carne no mercado doméstico costumam ser mais fracas –, a ponta compradora tende a manter firme suas ofertas no curtíssimo prazo, dependendo da aceitação dos vendedores.

Segundo análise dos especialistas da Agrifatto, os fundamentos do mercado pecuário continuam oferecendo suporte à arroba, impulsionados sobretudo pelo bom desempenho das exportações brasileiras de carne bovina in natura e pela oferta limitada de animais terminados, o que restringe movimentos mais intensos de queda.
Porém, continua a consultoria, as indústrias do País intensificam a pressão sobre os pecuaristas em meio à possibilidade de esgotamento da cota de importação da China – de 1,1 milhão de toneladas – a partir da virada do semestre.
“Esse contexto reforça o quadro de cautela dos frigoríficos, com algumas plantas se afastando pontualmente das compras à espera de condições mais favoráveis”, dizem os analistas da Agrifatto, acrescentando: “Paralelamente, as recentes oscilações negativas dos contratos futuros na B3 intensificaram o ambiente de maior instabilidade, mantendo os agentes da cadeia em alerta”.









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