Rotulagem obrigatória de origem da carne bovina/suína custaria US$ 1 bilhão/ano nos EUA

Análises econômicas demonstram que a rotulagem obrigatória aumentaria os custos dos pecuaristas e frigoríficos, além de aumentar os preços da proteína aos consumidores norte-americanos

Rotulagem obrigatória de origem da carne bovina/suína custaria US$ 1 bilhão/ano nos EUA
ilustrativa

O Instituto da Carne dos EUA anunciou uma nova análise econômica, realizada pela Decision Innovation Solutions, que concluiu que a reinstalação de um sistema de rotulagem obrigatória do país de origem (mCOOL, na sigla em inglês) para carne bovina e suína imporia custos significativos ao setor, superiores a US$ 1 bilhão anualmente.

Segundo o estudo, toda a cadeia de suprimentos dos EUA seria afetada, “aumentando as despesas para os pecuaristas, frigorífico, varejistas e consumidores, ao mesmo tempo que oferece poucas evidências de aumento na demanda do consumidor por produtos rotulados”.

O mCool é defendido por parte da cadeia pecuária dos EUA, que argumentam que o consumidor tem o direito de saber a origem da carne e que a medida valorizaria o produto “da casa”.

“Este estudo comprova que existem custos reais e significativos associados ao mCOOL, o que aumentaria o preço da carne para os consumidores que já têm dificuldades para comprar alimentos”, disse Julie Anna Potts, presidente e diretora executiva do Meat Institute.

Ela acrescentou: “A rotulagem obrigatória oneraria tanto as indústrias quanto os produtores de gado, com custos adicionais em um momento em que os frigoríficos estão perdendo dinheiro devido ao menor tamanho de rebanho em 75 anos, o que gerou preços recordes para o gado.”

Além disso, continuou Julie, neste momento, “o mCOOL aumentaria os custos para o consumidor e poderia prejudicar a demanda, o único fator que mantém a indústria norte-americana da carne bovina em movimento durante um ciclo pecuário difícil”.

A diretora do Meat Institute ressaltou que já existe um novo selo voluntário “Produto dos EUA”, que está ajudando os consumidores a comprar carne bovina e suína nascida, criada e processada no país. “Simplesmente não há necessidade de um novo selo que prejudique toda a cadeia de valor”, opinou ela.

Detalhes do estudo

Segundo texto publicado em Beef Maganize (www.beefmagazine.com), o estudo, intitulado “O Impacto Econômico do mCOOL nas Cadeias de Valor da Carne Bovina e Suína”, atualiza pesquisas anteriores do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) e da indústria, utilizando dados atuais de produção, comércio, consumo e mercado para avaliar os impactos potenciais da reinstalação dos requisitos do mCOOL de 2013.

Os resultados mostram que os custos de conformidade associados ao rastreamento, registro, segregação de produtos, rotulagem e verificação aumentariam substancialmente os custos em toda a cadeia de valor da carne bovina e suína.

Segundo o estudo, a reinstalação do mCOOL custaria às indústrias de carne bovina e suína aproximadamente US$ 1,02 bilhão somente no primeiro ano, incluindo US$ 721 milhões para a carne bovina e US$ 296 milhões para a carne suína. A maior parte dessas despesas seriam custos operacionais recorrentes, e não investimentos pontuais.

Com o tempo, esses custos continuariam a aumentar, atingindo um valor estimado de: US$ 4,8 bilhões ao longo de cinco anos e US$ 10,1 bilhões ao longo de 10 anos.

Consumidores arcariam com grande parte dos custos

O estudo conclui que os custos de conformidade seriam amplamente repassados ​​ao longo da cadeia de suprimentos e refletidos em preços mais altos dos alimentos para as famílias.

Os pesquisadores estimam que os consumidores pagariam anualmente US$ 835 milhões a mais para compras de carne bovina e US$ 284 milhões a mais para as aquisições de carne suína.

Juntos, esses valores representam mais de US$ 1,1 bilhão em custos adicionais de alimentos para os consumidores a cada ano.

O relatório conclui que os frigoríficos, processadores e varejistas arcariam com o maior ônus de conformidade, pois seriam responsáveis ​​por rastrear informações sobre a origem animal, manter estoques separados, segregar produtos, modificar cronogramas de produção, atualizar rótulos e documentar a conformidade.

Carne moída apresenta desafios únicos

A carne moída representou quase 48% de toda a carne bovina consumida nos EUA em 2025, segundo dados levantados pela pesquisa.

O estudo observa que a carne moída seria particularmente difícil e cara de rotular, pois geralmente combina carne bovina magra importada com aparas de carne bovina nacionais para atingir as proporções desejadas de carne magra e gordura.

Consequentemente, os custos de conformidade com o mCOOL apenas para carne moída podem variar de US$ 202 milhões a US$ 688 milhões anualmente, dependendo dos requisitos específicos de rotulagem adotados, diz o estudo.

O relatório conclui que os pecuaristas norte-americanos enfrentariam impactos decorrentes da redução da eficiência do mercado, do aumento das exigências de documentação e da menor flexibilidade em toda a cadeia de