Milho em alta exige proteção e compras escalonadas

As cooperativas devem reduzir o risco sobre os estoques com vendas graduais

Milho em alta exige proteção e compras escalonadas
ilustrativa

A valorização do milho ganhou força no mercado internacional e no Brasil, mas o avanço dos preços também aumenta a necessidade de proteção diante do risco de correções após semanas de alta. Segundo a TF Agroeconômica, o cenário segue fortemente altista, sustentado por menor oferta potencial nos Estados Unidos e na Europa, dificuldades de exportação da Ucrânia e forte desempenho das vendas externas americanas.

Para os produtores, a orientação é aproveitar os preços atuais para vender parcelas do milho disponível, sem liquidar toda a posição. No milho futuro, a recomendação é adotar proteção escalonada, com 30% cobertos por hedge na B3, outros 30% protegidos em uma próxima alta e o restante mantido aberto. Em Chicago, a faixa de 540 a 550 centavos por bushel exige atenção, enquanto a perda dos 500 centavos seria um sinal para acelerar a proteção.

As cooperativas devem reduzir o risco sobre os estoques com vendas graduais e hedge progressivo. Para cerealistas, a recomendação é evitar compras apenas pela expectativa de novas altas e avaliar a margem de carregamento, considerando preço futuro, preço físico, frete, armazenagem, custo financeiro e hedge.

Nas indústrias de ração, a estratégia indicada é ampliar a cobertura de curto prazo, manter proteção intermediária para 60 dias e parcial para 90 dias, diante da alta simultânea do milho e do farelo de soja. Já as usinas de etanol de milho devem proteger parte das necessidades futuras quando a margem industrial permitir, acompanhando milho, etanol, DDG, óleo e rentabilidade.

No Brasil, a região de R$ 68 a R$ 68,50 por saca é considerada referência para a manutenção da tendência de alta. A orientação central é transformar parte da valorização atual em margem protegida, sem abandonar totalmente a participação em novas altas.