Fertilizantes mais eficientes ganham espaço no campo em 2026
Alta nos custos, gargalos logísticos e busca por menor impacto ambiental impulsionam mudança no perfil da demanda, avalia empresa brasileira
O mercado brasileiro de fertilizantes inicia 2026 sob um novo arranjo de forças.
A combinação entre custos de produção elevados, gargalos logísticos e maior pressão por práticas sustentáveis vem alterando o perfil da demanda no campo.
Nesse cenário, cresce o interesse por insumos capazes de oferecer maior eficiência no aproveitamento de nutrientes, menor impacto ambiental e melhor custo-benefício para o produtor.
Dados da Associação Nacional para a Difusão de Adubos (ANDA) mostram que as entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro somaram 40,95 milhões de toneladas entre janeiro e outubro de 2025, alta de 8,4% em relação ao mesmo período de 2024. Somente em outubro, foram mais de 5 milhões de toneladas entregues, pelo quarto mês consecutivo.
Apesar da recuperação nos volumes, o setor segue fortemente dependente de importações. No acumulado até outubro, mais de 35,8 milhões de toneladas vieram do exterior, crescimento de 7,1% na comparação anual.
A combinação entre maior consumo interno e exposição às oscilações do mercado internacional mantém os fertilizantes como um dos principais componentes dos custos de produção no agronegócio.
Pressão por eficiência
Especialistas do setor avaliam que esse contexto tem levado produtores a buscar soluções que ampliem o aproveitamento de nutrientes no solo e reduzam perdas. Em um ambiente de margens mais apertadas, a eficiência passa a ser determinante para a rentabilidade da atividade.
Para George Fernandes, CEO da Morro Verde Fertilizantes, esse movimento tende a se intensificar ao longo de 2026.
“Mesmo diante de um cenário desafiador, tivemos um ano muito positivo em produção e vendas, o que demonstra que o produtor está buscando alternativas mais eficientes e sustentáveis”, afirma.
Segundo ele, o agro brasileiro está se adaptando a um novo patamar de custos e exigências.
“O setor está entrando em um novo nível de demanda por eficiência e sustentabilidade”, diz. “Acreditamos que soluções que promovam maior aproveitamento de nutrientes e impacto positivo na produtividade seguirão como diferenciais competitivos neste ciclo e nos próximos anos.”
Produção nacional e menor pegada de carbono
Outro fator que começa a pesar nas decisões de compra é a origem dos insumos. Com cadeias globais mais voláteis e custos logísticos elevados, soluções produzidas no Brasil, capazes de reduzir a dependência de importações e com menor pegada de carbono, ganham espaço entre os produtores.

Fundada em Pratápolis (MG), a Morro Verde atua com fertilizantes de origem 100% nacional e foco em agricultura regenerativa tropical e baixa emissão de carbono. A empresa trabalha com produtos como fosfato natural reativo (FNR), calcário dolomítico e bioinsumos minerais.
“Com esses produtos, buscamos contribuir para solos mais produtivos e sustentáveis, ao mesmo tempo em que fortalecemos a soberania produtiva do Brasil”, afirma Fernandes.
Ciência aplicada ao campo
O executivo destaca ainda que a empresa mantém parcerias com instituições de pesquisa, como ESALQ, USP São Carlos, Embrapa, UFU, IAC, Unesp, IPT, Fundação MT, UFV e GAPES, com o objetivo de integrar ciência, tecnologia e produção.
Segundo ele, a adoção de novas soluções passa não apenas pelo custo, mas também pela segurança agronômica e pelo retorno produtivo. “Queremos apoiar o produtor não apenas com insumos, mas com soluções que dialoguem com os desafios econômicos e ambientais atuais”, diz.
Embora a Morro Verde ainda não detalhe seus próximos lançamentos, a empresa sinaliza que prepara novas soluções voltadas à eficiência e à sustentabilidade no campo.








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