Consultoria vê lacunas no controle de antimicrobianos
A documentação precisa responder aos critérios do avaliador
As negociações sobre restrições ao uso de antimicrobianos na produção animal expõem uma disputa entre o ritmo dos ciclos produtivos e a comprovação prévia dos controles oficiais. Segundo Maria Eduarda Blaiklock, estrategista do Agro Global especializada em riscos comerciais, sanitários e regulatórios, a comunicação do Ministério da Agricultura afirma que o Brasil já apresentou garantias suficientes, mas não esclarece quais pontos seguem sob análise da União Europeia.
A avaliação considera legítimo o argumento de que a permanência de um país na lista de exportadores autorizados não torna toda a produção imediatamente elegível. Bovinos, aves, peixes e colmeias têm ciclos distintos, o que pode fazer a oferta de produtos conformes surgir de forma gradual. A questão central, porém, é saber se o sistema brasileiro já consegue identificar animais e lotes aptos, registrar tratamentos, separar fluxos conformes e não conformes e reconstruir o histórico de cada produto.

Na análise, a produção pode precisar de tempo para completar os ciclos, mas a estrutura de controle deve estar pronta antes da certificação. Isso exige regras definidas, rastreabilidade, fiscalização, supervisão e mecanismos capazes de impedir que produtos sem evidências suficientes recebam garantia oficial.
A fonte pondera ainda que a experiência exportadora e a credibilidade sanitária do país são relevantes, mas não substituem provas específicas para uma nova exigência. A documentação precisa responder aos critérios do avaliador e demonstrar como os controles funcionam na prática. Sem clareza sobre a divergência técnica, as medidas já implementadas e os próximos passos, a firmeza do discurso pode atender ao ambiente doméstico, mas não altera, por si só, uma avaliação regulatória.













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