Pecuária goiana pode manter arroba valorizada mesmo com restrições às exportações

"A China continua sendo um mercado relevante para a carne bovina brasileira, mas Goiás vem reduzindo a dependência de um único comprador.

Pecuária goiana pode manter arroba valorizada mesmo com restrições às exportações
ilustrativa

Analista de mercado do Ifag, Marcelo Penha, avalia que a oferta restrita de animais terminados deve continuar dando sustentação aos preços e destaca a diversificação dos mercados como caminho para reduzir os impactos das restrições externas

As restrições comerciais impostas por importantes mercados compradores de carne bovina exigem atenção do setor pecuário goiano, mas, segundo o analista de mercado do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (Ifag), Marcelo Penha, os efeitos sobre os produtores dependerão principalmente da capacidade dos frigoríficos e exportadores de redistribuir os volumes para outros destinos.

"A China continua sendo um mercado relevante para a carne bovina brasileira, mas Goiás vem reduzindo a dependência de um único comprador. Os Estados Unidos, por exemplo, ganharam importância e atualmente são o principal destino da carne bovina goiana. O país também enfrenta o menor rebanho dos últimos 75 anos, o que mantém elevada a necessidade de importação", pontua.

No mercado interno, Penha afirma que ainda não há elementos suficientes para atribuir diretamente às restrições chinesas eventuais mudanças nos preços pagos ao produtor. Segundo ele, a arroba segue sustentada pela oferta reduzida de animais terminados.

O setor atravessa um momento de alta do ciclo pecuário, marcado pela retenção de fêmeas e pela menor disponibilidade de bovinos para abate. Esse cenário reduz a possibilidade de uma pressão de baixa provocada pelo mercado externo.

As escalas de abate mais curtas também precisam ser analisadas com cautela. Para recompor a oferta e manter o ritmo de produção, os frigoríficos tendem a aumentar a remuneração pela arroba, intensificando a disputa pelos animais disponíveis.

"Esse movimento pode levar produtores e confinadores a anteciparem a comercialização de bovinos que ainda não atingiram o acabamento ideal. Caso a dinâmica persista, a oferta de animais pode ficar ainda mais restrita no curto prazo, aumentando a disputa e contribuindo para a valorização da arroba", destaca.

Os reflexos podem chegar também ao mercado de reposição, com maior procura por animais para recompor os sistemas produtivos e consequente pressão sobre os preços de bezerros e outras categorias.

Para a carne que eventualmente deixar de ser destinada a mercados com restrições, a tendência, segundo o analista, é de redistribuição dos volumes entre diferentes compradores, e não de concentração no mercado interno. O Brasil possui uma carteira diversificada de mercados e pode ampliar as vendas para países como Estados Unidos, Chile, México, Rússia e Egito.

Também há espaço para avançar na abertura de novos mercados, como Coreia do Sul, Japão e Vietnã. A diversificação pode ajudar a compensar eventuais restrições, reduzir a pressão sobre o mercado doméstico e ampliar as oportunidades para os produtores goianos.

Para minimizar os impactos sobre a cadeia produtiva, Marcelo Penha aponta como prioridades a diversificação dos mercados, o fortalecimento da defesa sanitária e a continuidade das negociações para abertura e ampliação de destinos para a carne brasileira.

"Para o produtor, recomenda-se atenção permanente aos preços, custos e condições de comercialização. Em um cenário de maior volatilidade externa, informação e planejamento são fundamentais para preservar as margens da atividade", aconselha.

FAEG