Preço da soja cai no Brasil com dólar mais baixo, mas exportações recordes limitam perdas
Valorização do real reduz a competitividade do grão brasileiro no exterior, enquanto embarques históricos de soja e farelo ajudam a conter a desvalorização no mercado interno.
Os preços da soja registraram queda no mercado brasileiro, pressionados pela valorização do real frente ao dólar. O movimento diminui a competitividade do produto nacional no mercado internacional, especialmente em relação à soja produzida nos Estados Unidos. Apesar da pressão sobre as cotações, o volume recorde de exportações tem ajudado a limitar as perdas.
Segundo levantamento divulgado nesta terça-feira (13) pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, a desvalorização da moeda norte-americana reduz os valores recebidos em reais pelos exportadores brasileiros, influenciando as negociações no mercado doméstico.
A queda nos preços, porém, encontra resistência nos resultados das exportações de soja em grão e derivados, que mantiveram volumes elevados entre janeiro e setembro deste ano.
Exportações de soja batem recorde para setembro
Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que o Brasil exportou 7,36 milhões de toneladas de soja em grão em setembro de 2026, o maior volume já registrado para esse mês.
Apesar do recorde, a quantidade embarcada ficou 25% abaixo da registrada em agosto. Segundo o Cepea, essa redução é comum nesta época do ano, quando a disponibilidade do produto e o ritmo das vendas externas costumam diminuir em relação aos meses anteriores.
O desempenho de setembro indica que a demanda internacional pela soja brasileira permanece relevante, mesmo com a pressão cambial sobre os preços.
Farelo de soja também registra embarques históricos
As exportações brasileiras de farelo de soja também alcançaram um recorde para o mês de setembro, conforme dados da Secex.
O volume embarcado cresceu 10% em comparação com agosto e 18,5% em relação a setembro de 2025, mostrando o aumento das vendas externas do produto utilizado principalmente na alimentação animal.

O farelo é obtido a partir do processamento da soja e representa uma importante parcela da cadeia agroindustrial do grão, especialmente na fabricação de rações.
Os resultados das exportações de soja e farelo têm contribuído para reduzir a intensidade das quedas nas cotações internas, mesmo com a valorização do real.
Mercado exige atenção dos produtores do Tocantins
No Tocantins, onde o plantio da safra de soja 2026/27 está autorizado desde 1º de outubro, o comportamento dos preços nacionais e internacionais é um dos fatores acompanhados pelos produtores durante o planejamento da nova temporada.
As oscilações cambiais afetam a formação dos preços da soja, uma commodity negociada internacionalmente em dólar. Quando a moeda norte-americana perde valor em relação ao real, a receita das exportações convertida para a moeda brasileira tende a diminuir, pressionando os preços oferecidos aos agricultores.
O desempenho das vendas externas, por sua vez, influencia a demanda pelo produto e pode ajudar a sustentar as cotações, dependendo da disponibilidade de grãos e das condições de comercialização.
Para os produtores tocantinenses, que iniciam uma nova safra, acompanhar esses movimentos é importante para avaliar oportunidades de negociação e planejar a comercialização da produção.
O boletim do Cepea não apresentou cotações específicas para o Tocantins nem o percentual de queda dos preços no estado. No mercado nacional, o cenário permanece marcado pela pressão cambial, enquanto o ritmo elevado das exportações ajuda a limitar a desvalorização.











