Processamento de soja no Brasil deve crescer 3,8porcento e alcançar 66 milhões de toneladas em 2027

Projeções da Abiove indicam aumento na produção de farelo e óleo de soja, enquanto exportações do grão devem apresentar leve recuo diante da maior demanda da indústria nacional

Processamento de soja no Brasil deve crescer 3,8porcento e alcançar 66 milhões de toneladas em 2027
ilustrativa

O processamento de soja no Brasil deve alcançar 66 milhões de toneladas em 2027, crescimento de 3,8% em relação aos 63,6 milhões de toneladas estimados para 2026. A projeção faz parte do balanço de oferta e demanda divulgado pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), atualizado em 15 de outubro. Os números apontam para a expansão da atividade industrial, impulsionada pela demanda por farelo e óleo de soja.

A estimativa ocorre em um cenário de crescimento mais moderado da produção brasileira do grão. Para 2027, a Abiove trabalha com uma safra de 181,617 milhões de toneladas, volume 0,7% superior às 180,407 milhões de toneladas previstas para 2026. A projeção está alinhada ao primeiro levantamento da safra 2026/27 da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado em outubro.

Embora a produção de soja deva aumentar, as exportações do grão estão projetadas em 113 milhões de toneladas para 2027, recuo de aproximadamente 0,8% em comparação com os 113,9 milhões de toneladas estimados para este ano. A expectativa é de que uma parcela maior da produção seja destinada ao processamento no mercado interno.

Produção de farelo e óleo deve avançar

O crescimento do processamento também deve elevar a oferta de derivados da soja. Segundo a Abiove, a produção brasileira de farelo está estimada em 50,8 milhões de toneladas em 2027, aumento de 3,8% em relação aos 48,95 milhões de toneladas previstos para 2026.

As exportações do produto devem alcançar 26,3 milhões de toneladas, crescimento de aproximadamente 4%, enquanto o consumo interno poderá passar de 21,5 milhões para 23,1 milhões de toneladas, alta de 7,4%.

O farelo de soja é um dos principais ingredientes utilizados na formulação de rações para aves, suínos e bovinos, o que relaciona a expansão de seu consumo ao desempenho das cadeias de proteína animal.

No segmento de óleo de soja, a projeção é de uma produção de 13,27 milhões de toneladas em 2027, avanço de 3,7% sobre os 12,8 milhões de toneladas estimados para este ano.

O consumo interno deve alcançar 11,5 milhões de toneladas, crescimento de 4,5%. Já as exportações estão previstas em 1,9 milhão de toneladas, redução de 2,6% na comparação anual.

O aumento da demanda doméstica por óleo está relacionado, entre outros fatores, à utilização do produto como matéria-prima na fabricação de biodiesel, além do consumo pela indústria alimentícia.

Estoques de soja podem superar 8 milhões de toneladas

O balanço da Abiove também indica aumento dos estoques finais de soja no próximo ano. A expectativa é de que o Brasil encerre 2027 com 8,194 milhões de toneladas armazenadas, ante 7,702 milhões de toneladas previstas para o fechamento de 2026.

O crescimento estimado é de 6,4%, o que representa um acréscimo de aproximadamente 492 mil toneladas.

Para o farelo de soja, os estoques finais devem passar de 4,246 milhões para 5,647 milhões de toneladas, elevação de aproximadamente 33%.O óleo de soja apresenta movimento contrário, com previsão de redução dos estoques de 636 mil para 606 mil toneladas, queda de 4,7%.

Essas estimativas refletem as diferenças entre os ritmos de produção, consumo e exportação de cada produto do complexo soja.

Tocantins acompanha expansão da cadeia produtiva

As projeções nacionais também são relevantes para estados produtores como o Tocantins, onde a soja ocupa posição de destaque na agricultura e nas exportações.

Na safra 2026/27, a área cultivada com a oleaginosa no estado deve ficar próxima de 1,6 milhão de hectares, conforme as estimativas da Conab e colher

O aumento do processamento brasileiro pode influenciar as alternativas de comercialização dos produtores, uma vez que a indústria nacional passa a demandar volumes maiores de matéria-prima. No entanto, os efeitos sobre os preços recebidos no Tocantins dependerão das condições de mercado, dos custos logísticos e da concorrência entre compradores.

O levantamento da Abiove apresenta projeções nacionais e não detalha quanto do crescimento do processamento será absorvido por cada estado.

Para 2027, o cenário projetado indica que o complexo soja brasileiro deverá combinar uma produção agrícola ligeiramente maior com a expansão mais expressiva da indústria de derivados, ampliando a participação do processamento interno no destino da oleaginosa.

Fonte: Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), balanço de oferta e demanda atualizado em 15 de outubro de 2026, e Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).