Excesso de umidade compromete lavouras do RS

Publicado no dia 24/05/2024 às 11h06min
Dias nublados não foram suficientes para amenizar impacto no campo

Foto: Pixabay
A continuidade de dias nublados e a ocorrência de chuvas menos intensas e frequentes não foram suficientes para mitigar os problemas causados pelo excesso de umidade na colheita de soja na metade Norte do Rio Grande do Sul. Segundo o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira, a umidade persistente dos solos tem prejudicado a colheita, mesmo em regiões com menor precipitação.

O levantamento aponta que 91% da área de soja no Estado já foi colhida, enquanto 9% ainda está em fase de maturação. As dificuldades são agravadas nas áreas em colheita, onde os agricultores enfrentam perdas crescentes devido a grãos germinados, mofados e à debulha natural. Esses problemas, que se intensificam com os atrasos, aumentam os custos da operação, especialmente porque a colheita em solo úmido requer a utilização parcial dos graneleiros para evitar danos de locomoção causados pelo excesso de peso.

Além disso, a entrega de soja às unidades de secagem e armazenamento foi prejudicada. Nos primeiros dias após a retomada da colheita, a alta umidade dos grãos, muitas vezes próxima a 30%, exigiu a redução dessa umidade para cerca de 14% para armazenamento adequado. Contudo, a capacidade limitada dos secadores dificultou o processo. Em resposta, cooperativas das regiões Central e Campanha estão transportando os grãos para secagem nas sedes localizadas no Planalto Médio, uma medida necessária devido à elevada demanda de tempo e lenha para a combustão nas áreas de colheita.

As perdas nas lavouras colhidas após o período de chuvas são consideráveis. Contudo, nas áreas plantadas mais tardiamente, onde o ciclo se encerrou recentemente, o índice de grãos danificados ou germinados é menor. A projeção inicial de produtividade, estimada em 3.329 kg/ha, deve sofrer uma variação negativa, dependendo dos resultados dos levantamentos em curso nas áreas ainda a serem colhidas e nas áreas perdidas.

AGROLINK - Aline Merladete
COMPARTILHE: 

Fonte: Agrolink