Acordo com UE revolta pecuaristas da Austrália
Lideranças do setor reclama de acesso limitado ao mercado europeu e classificam cotas como “patéticas” e “terríveis”
O setor de carne bovina da Austrália criticou duramente o recente acordo de livre comercio assinado com a União Europeia, classificando o novo sistema de cotas de carne bovina como “patéticas” e “terríveis”, segundo reportagem do Beef Central, que divulgou manifestações das principais lideranças do segmento.
“Um acordo de livre comércio deve promover o comércio, não restringi-lo; este resultado não reflete a contribuição do setor de carne vermelha para a economia da Austrália”, disse Tim Ryan, do Conselho da Indústria de Carnes da Austrália.
Andrew McDonald , presidente da Força-Tarefa de Acesso ao Mercado de Carne Vermelha Austrália-EU, afirmou que o acordo anunciado pelo primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, e pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, “prevê a continuidade de quotas desproporcionalmente baixas para a carne vermelha, colocando a Austrália em desvantagem competitiva permanente no valioso mercado europeu”.
Nos termos do acordo, a Austrália terá acesso a um volume de carne bovina equivalente a 30.600 toneladas – limitado a apenas 10.200 toneladas durante os primeiros cinco anos, ou pelo menos até 2032 –, ficando muito aquém das 50.000 toneladas de carne bovina que foram alcançadas pelos concorrentes da Austrália.
As exportações de carne bovina oriunda de animais alimentados com grãos parecem ser particularmente afetadas pelo acordo, observou a Beef Central. Sob o sistema de cotas 481 vigente, este tipo de produto entrava na União Europeia sem tarifas, informa o portal.
Agora, pelo novo acordo, será aplicada uma tarifa de 7,5% aos volumes deste tipo de carne bovina, fornecidos sob a nova cota do TLC.
“Embora o governo possa destacar a remoção da tarifa de 20% sobre a pequena cota existente da OMC Hilton, isso pouco contribui para compensar um resultado que consolida restrições contínuas às exportações de carne bovina advinda de bovinos alimentados com grãos”, disse Grant Garey, presidente da Associação Australiana de Confinadores de Gado.
O acesso a 25.000 toneladas de carne ovina e caprina (começando com apenas 8.300 toneladas) está muito aquém das 67.000 toneladas que a indústria havia indicado como “marca mínima” (observando que a Nova Zelândia obteve acesso à UE para 163.769 toneladas), esclareceu a Beef Central.

“O setor de carne vermelha da Austrália foi profundamente prejudicado por esse resultado”, disse o presidente da força-tarefa, Andrew McDonald. Ele continua: “Esta é, sem dúvida, uma oportunidade perdida para os produtores, processadores e exportadores de carne vermelha da Austrália. Isso limitará a capacidade do nosso setor de diversificar para um mercado de 27 países com forte e contínua demanda por carne importada. Também privará a maioria dos 450 milhões de consumidores da UE da chance de escolher produtos de carne vermelha australiana de alta qualidade e sustentáveis.”
“A incapacidade da UE de reformar seu regime comercial profundamente protecionista acabou impedindo a obtenção de um bom acordo”, reclamou McDonald.
Resposta da Cattle Australia
O presidente da Cattle Australia, Garry Edwards, disse que o anúncio desta manhã mostrou que o setor foi enganado por uma negociação comercial aparentemente desonesta, com amadores jogando contra profissionais.
“O acordo que foi firmado é simplesmente deplorável para a agricultura e para as regiões rurais da Austrália e não oferece nada para resolver o desequilíbrio comercial com a UE.
Edwars completa: “As quantidades acordadas são patéticas, com volumes insignificantes que não foram atingidos em dez anos. Ao mesmo tempo, a Austrália é inundada por volumes enormes de proteína animal e laticínios da UE isentos de tarifas, o que evidencia a hipocrisia de promover um verdadeiro Acordo de Livre Comércio”.








Comentários (0)
Comentários do Facebook