Pecuarista que não trabalha com cria deve redobrar a atenção nos próximos anos
Juliana Pila, da Scot Consultoria, destaca compra de reposição, custos de alimentação e proteção de margem entre os fatores que devem orientar o planejamento
O avanço dos preços dos animais de reposição deve exigir planejamento cada vez mais cuidadoso dos pecuaristas que atuam na recria e engorda e dependem da compra de bovinos para manter a atividade. Com a atual fase do ciclo pecuário, a expectativa é de que a reposição permaneça valorizada nos próximos anos, aumentando a importância da gestão dos custos e das margens.
No quadro Conversa com o Analista, do programa Terraviva DBO na TV, desta terça-feira (18/8), Juliana Pila, zootecnista e analista de inteligência de mercado da Scot Consultoria, respondeu à pergunta de um telespectador sobre qual deve ser, daqui para frente, o plano de trabalho do pecuarista brasileiro que não atua na cria.
Segundo a analista, o primeiro ponto de atenção deve estar justamente na aquisição dos animais.
Preço da reposição exige mais atenção do pecuarista
“Para o pecuarista que não trabalha com cria, o principal ponto daqui para frente é pensar, principalmente, em ter mais cuidado com a compra de reposição”, afirmou Juliana.
De acordo com ela, o momento atual do ciclo pecuário já é marcado pela valorização das categorias de reposição, movimento que deve continuar nos próximos anos.
“Nós estamos em um momento do ciclo pecuário em que já estamos vendo que os preços de reposição estão em alta e assim devem seguir, pelo menos, para 2027 e também 2028. Então, para o pecuarista que precisa fazer a aquisição de animais, esse é um momento em que deve prestar mais atenção”, explicou.
A compra, porém, não deve ser analisada isoladamente. Para definir a estratégia da recria e engorda, o produtor precisa colocar na conta os custos com alimentação, o período de permanência dos bovinos na propriedade e o momento previsto para a comercialização.
Recria e engorda devem buscar ciclos mais curtos
Nesse cenário, encurtar o período de engorda ganha relevância para quem depende da compra de reposição. O planejamento precisa considerar não apenas quanto será pago pelo animal, mas também quanto tempo e quais recursos serão necessários até que ele esteja pronto para a venda.
“Além de tomar cuidado com a compra de reposição, ele também tem que avaliar os custos com alimentação, o período que esse animal vai ficar na propriedade e também quando esse animal vai ser comercializado”, destacou Juliana.
Na avaliação da analista, esses fatores precisam ser considerados em conjunto para que o pecuarista consiga administrar melhor os custos e preservar a rentabilidade da atividade diante de uma reposição mais cara.

Gestão de risco ajuda a proteger a margem da pecuária
Outro ponto destacado por Juliana é o gerenciamento de risco. Quando o mercado oferece uma margem considerada interessante, o produtor deve avaliar os mecanismos disponíveis para proteção dos preços.
“Sempre que aparece uma margem interessante, o pecuarista deve analisar os mecanismos que tem para proteção de preço, como mercado futuro e também contratos a termo”, orientou.
Para a analista da Scot Consultoria, a estratégia de quem não trabalha com cria deve, portanto, estar apoiada em três pontos principais: atenção à compra dos animais, busca por um período mais curto de engorda e proteção das margens.
Assista à análise completa a partir do minuto 7:13.












