Efeito-China faz preço do boi gordo cair R$ 6/@ em 7 dias em SP
Frigoríficos tiram o pé das exportações ao mercado chinês diante do iminente preenchimento da cota de salvaguarda
Após uma primeira quinzena de preços firmes no mercado do boi gordo, o movimento de baixa nos preços da arroba ganhou força nas praças brasileiras.
Em São Paulo, segundo dados da Scot Consultoria, o valor do macho terminado sem padrão-exportação fechou a sexta-feira (26/6) cotado em R$ 342/@ no interior de São Paulo, o que representou desvalorização de R$ 6/@ em relação ao preço registrado na sexta-feira anterior (19/6).
Pelos dados da Scot, o “boi-China” está valendo R$ 347/@ no mercado paulista, com ágio de R$ 5/@ sobre o animal “comum”.
Segundo levantamento da Agrifatto, das 17 praças monitoradas diariamente, duas delas – Goiás e Minas Gerais registraram queda nas cotações do boi gordo nesta sexta-feira; no restante das regiões, as cotações ficaram estáveis.
Arroba perde força
Segundo o zootecnista Felipe Fabbri, analista da Scot Consultoria, os frigoríficos brasileiros, sobretudo os exportadores, atuam com bastante cautela no mercado do boi gordo.
“Após uma primeira quinzena de preços firmes, a arroba perdeu força, com dúvidas pairando no ar e um clima mais gelado entre os agentes nas negociações”, relata Fabbri.
As temperaturas baixas, acompanhadas de chuvas intermitentes em grande parte das regiões pecuárias, somadas à perda de poder de compra da população brasileira típica do período (devido ao esgotamento os salários recebidos no início do mês), mantiveram o consumo doméstico de carne bovina em ritmo lento desde o início desta semana encerrada em 26/6, observam os analistas Agrifatto, que também acompanha de perto as negociações nas principais regiões produtoras.

“Com o fim do mês se aproximando, as vendas no atacado e no varejo apresentaram ritmo lento, com migração do consumo para carnes mais competitivas queda nos preços na maioria dos cortes bovinos, na expectativa de gerar maior giro nas mercadorias”, complementa Fabbri.
“Sem expectativa de reação no curto prazo, esse cenário deve persistir até a virada de junho, limitando a reposição de mercadorias pelo varejo”, prevê a Agrifatto.
Cota da China está perto de ser preenchida
Porém, o principal fundamento baixista nos preços internos do boi gordo tem ligação com o mercado internacional: os exportadores brasileiros pisaram o pé no freio diante das informações de que a cota de importação da China, de 1,1 milhão de toneladas, está bem perto de ser preenchida em sua totalidade.
“Como consequência, parte da produção destinada à exportação foi redirecionada ao mercado interno, elevando discretamente a disponibilidade de carne no atacado nas negociações de quinta-feira (25/6) em relação ao mesmo dia da semana anterior”, observa a Agrifatto.
Fabbri diz que, com base no que já foi exportado em maio e até agora em junho ao mercado chinês, o mercado estima que o volume exportado pelo Brasil, daqui em diante, será afetado pela tarifa adicional de 55%, além da taxa de 12% já existente.
“Por isso, o ritmo de compras de “boi-China” de produção de carne para exportação ao país asiático diminuiu”, ressalta o analista da Scot, que acrescenta: “Esperamos um final de mês com o mercado do boi gordo ainda em baixa, enquanto a primeira quinzena de julho pode trazer algum fôlego para as vendas.”
Porém, apesar do viés nas cotações da arroba, Fabbri e a equipe de analista da Scot não enxerga “uma depressão severa na cotação da arroba do boi gordo como em anos anteriores”.













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