Resultados de pesquisa demonstram redução de metano em bovinos de corte

Estudo conduzido pela Minerva Foods e Rumin8, em parceria com a ESALQ/USP, mostrou diminuição de emissões e melhoria na eficiência alimentar em gado Nelore

Resultados de pesquisa demonstram redução de metano em bovinos de corte
Ilustrativa

A Minerva Foods e a Rumin8, empresa australiana de tecnologia climática que desenvolve aditivos alimentares para reduzir as emissões de metano do gado, anunciaram nesta terça-feira (5/5) os resultados de um estudo inédito, que demonstra reduções significativas nas emissões de metano, juntamente com a melhoria da eficiência alimentar.

A pesquisa foi conduzida em parceria com a Universidade de São Paulo, por meio da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ/USP).

O estudo, com duração de 120 dias, avaliou o impacto do aditivo alimentar da Rumin8 nas emissões de metano entérico e no desempenho produtivo de gado Nelore em condições que simulam operações comerciais de confinamento brasileiras.

De acordo com o estudo, animais que receberam o aditivo em uma ração total mista (TMR, na sigla em inglês) apresentaram uma redução de 50,4% nas emissões de metano e uma melhoria estatisticamente significativa de 5% na eficiência de conversão alimentar, em comparação com o gado alimentado com a mesma dieta sem o aditivo.

Para o CEO da Rumin8, David Messina, a colaboração representa um passo importante para escalar as tecnologias de redução de metano em um dos maiores mercados pecuários do mundo. “Ficamos satisfeitos em fazer parceria com a Minerva e a ESALQ/USP para avaliar a capacidade da Rumin8 de mitigar o metano e seu impacto no desempenho animal em um ambiente que simula uma operação comercial de confinamento brasileira”, afirma, em nota.

O estudo também constatou que a intensidade de metano por quilograma de ganho de peso vivo diminuiu de 77,2 g/kg para 39,6 g/kg ao comparar bovinos alimentados apenas com TMR com aqueles que receberam o aditivo.

No total, o teste alcançou uma redução estimada de 29,8 toneladas de CO₂ equivalente nas emissões de gases de efeito estufa, além de proporcionar ganhos de produtividade e menor consumo de ração, relata o comunicado à imprensa.

A verificação independente desses resultados está em andamento por empresas especializadas em certificação de carbono agrícola, incluindo Athian e FoodChain ID, informa a Minerva Foods.

“O estudo destaca o potencial da inovação e da colaboração entre indústria, ciência e tecnologia para abordar um dos desafios mais urgentes na agenda climática do setor pecuário” diz, em nota, Marta Giannichi, Diretora Global de Sustentabilidade da Minerva Foods.

O experimento envolveu dois grupos de bovinos Nelore machos. O primeiro grupo incluiu 80 animais alojados em baias individuais para permitir a medição precisa do consumo de ração e das emissões de metano. Esses animais foram divididos em um grupo controle, que recebeu apenas a dieta total misturada, e um grupo que recebeu a dieta suplementada com o aditivo.

Um segundo grupo, composto por 200 bovinos Nelore, recebeu o aditivo em baias coletivas, simulando condições operacionais em escala comercial.

Durante o período do estudo, os bovinos foram alimentados com uma dieta típica de terminação em confinamento no Brasil, composta por 12% de volumoso e 88% de concentrado, tendo o milho moído como principal ingrediente. O consumo de ração foi monitorado diariamente e o desempenho produtivo foi avaliado por meio de medições de peso vivo ao longo do experimento.

Segundo os pesquisadores envolvidos, relata o comunicado da Minerva Foods, “os resultados posicionam o aditivo testado entre as estratégias mais promissoras de mitigação de metano já avaliadas pela instituição, com potencial para reduzir a pegada ambiental da produção de carne bovina ao mesmo tempo em que melhora a eficiência produtiva”.

Fonte: Ascom Minerva Foods