Brasil envia novas sementes para maior banco de sementes do mundo na Noruega
emessa da Embrapa amplia a participação brasileira em reserva internacional criada para preservar espécies agrícolas diante de crises globais e eventos extremos
O Brasil acaba de reforçar sua contribuição para a preservação da biodiversidade agrícola mundial.
Na quarta-feira (10), a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, entregou uma nova remessa de sementes ao Banco Mundial de Sementes de Svalbard, na Noruega, considerado a maior reserva de segurança agrícola do planeta.
Os 24 acessos enviados incluem sementes de caju (2), fava (7), amendoim (4), mamona (3) e gergelim (8). O material se soma aos 8.125 acessos já depositados pela Empresa no silo norueguês, cuja missão é proteger a biodiversidade diante de ameaças globais, como guerras, mudanças climáticas e pragas.
Massruhá esteve acompanhada pelo coordenador do Labex Europa, Elcio Guimarães, que dará continuidade às relações e atividades acordadas em áreas com potencial de parceria institucional, em conjunto com as instituições visitadas e as unidades de pesquisa da Embrapa.
Localizado na ilha de Spitsbergen, no arquipélago de Svalbard, o cofre conserva atualmente cerca de 1,38 milhão de amostras de sementes de mais de 5 mil espécies, originárias de 223 países e territórios. Como os envios não são realizados diretamente por governos nacionais, as amostras chegam ao banco por meio de aproximadamente 120 instituições de pesquisa e bancos genéticos distribuídos em mais de 85 países. Esses centros reúnem e preservam a diversidade agrícola de diferentes regiões do mundo.
Para Silvia Massruhá, a presença da Embrapa no Silo Global de Sementes de Svalbard representa um compromisso com as futuras gerações.
“Essa iniciativa representa uma salvaguarda da biodiversidade agrícola mundial e reforça o compromisso da ciência brasileira com a segurança alimentar, a preservação dos recursos genéticos e a capacidade de responder aos desafios impostos pelas mudanças climáticas. Ao levarmos para Svalbard materiais desenvolvidos no Brasil, mostramos ao mundo a relevância da nossa pesquisa agropecuária e a contribuição da Embrapa para uma agricultura cada vez mais sustentável, resiliente e inovadora”, enfatiza.
Brasil deposita sementes em Svalbard desde 2012
Desde 2012, a Embrapa representa o Brasil no banco global. Segundo o pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Juliano Pádua, a maior parte dos acessos depositados é composta por arroz (4.850), milho (739) e feijão (514).

Também integram o acervo forrageiras como Andropogon, Stylosanthes e Paspalum; fruteiras, como caju e maracujá; hortaliças, entre elas abóbora, melão, melancia, cebola e alface; espécies florestais, como pinus; além de soja (17) e trigo (3).
“A presença maciça de feijão, arroz e milho reflete a base da nossa alimentação e atende a uma das recomendações do Banco de Svalbard quanto à relevância para a segurança alimentar e a agricultura sustentável. Além disso, são culturas que apesar de não serem originárias do Brasil, são cultivadas no País há séculos e, por isso, apresentam características de rusticidade e adaptação às condições nacionais”, reforça.
Os acessos entregues nesta nova remessa são oriundos de diferentes unidades da Embrapa: caju, da Embrapa Agroindústria Tropical; fava, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia; e amendoim, mamona e gergelim, da Embrapa Algodão.
O maior banco de sementes da América Latina
O envio das sementes ao banco norueguês integra uma estratégia mais ampla de conservação genética conduzida pela Embrapa. Desde sua criação, na década de 1970, a Empresa mantém entre suas prioridades a preservação de sementes de importância para a agricultura e a alimentação.
Hoje, a instituição abriga o maior banco de sementes do Brasil e da América Latina e um dos maiores do mundo, com quase 126 mil amostras de 1.213 espécies.
A chamada “caixa-forte brasileira” está instalada na Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília (DF). As sementes são armazenadas a 18°C abaixo de zero, em condições semelhantes às do banco de Svalbard, o que garante sua viabilidade por décadas ou até séculos.
Atualmente, o banco genético vegetal da Embrapa tem capacidade para conservar 600 mil amostras de sementes distribuídas em quatro câmaras frias. Há ainda espaço para a instalação de outras duas câmaras, o que poderá ampliar a capacidade de armazenamento para até 900 mil amostras.











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