Exportações do agro brasileiro aos países do Golfo crescem mesmo com tensão no Oriente Médio
Dados da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira apontam alta de 1,97% nas vendas do agronegócio para a região
Apesar dos impactos da guerra no Oriente Médio, como o aumento dos custos logísticos provocado pelo fechamento do Estreito de Ormuz, as exportações de produtos agropecuários para o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), formado por Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã, seguem em terreno positivo, segundo levantamento da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira.
As vendas do agronegócio brasileiro para o bloco acumulam alta de 1,97% no ano, totalizando US$ 1,76 bilhão. Frango, açúcar, carne bovina, milho e café lideram a pauta exportadora. Os dados mostram retração em algumas categorias importantes, compensada pelo avanço de outros produtos.
As exportações de frango registram queda de 5,98% no acumulado do ano, somando US$ 791,19 milhões. Apesar disso, o Catar, que possui portos apenas no Golfo, ampliou as compras em 13,82%, para US$ 70,29 milhões, utilizando portos sauditas no Mar Vermelho, além de transporte rodoviário e aéreo, para manter o fluxo comercial.
As vendas de açúcar cresceram 28,74% entre janeiro e abril, alcançando US$ 442,59 milhões. Os principais avanços ocorreram na Arábia Saudita, com alta de 46,35%, e em Omã, onde os embarques de açúcar brasileiro saltaram 6.332,27% no período, mesmo com parte dos portos do país afetados pelo bloqueio do Estreito de Ormuz.
A carne bovina também segue com desempenho positivo no quadrimestre, avançando 28,77%, para US$ 219,30 milhões, com crescimento em todos os mercados do CCG. Em abril, porém, houve desaceleração nos embarques, com recuo de 46,90% nas receitas em relação a março, sinalizando uma possível mudança de tendência.
O milho apresentou recuperação em abril. Após embarques praticamente inexistentes em março, as vendas do grão somaram US$ 11,80 milhões no mês passado. No acumulado do ano, a alta é de 11,69%, totalizando US$ 73,01 milhões, impulsionada principalmente pelas compras do Kuwait e dos Emirados Árabes Unidos.
O café acumula crescimento de 58,50% no quadrimestre, com receitas de US$ 64,67 milhões. Os maiores avanços ocorreram nos Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Omã, em um movimento atribuído à recomposição de estoques.

Exportações totais recuam
Considerando todas as exportações brasileiras para o CCG, as receitas recuaram 24,99% em abril, para US$ 455,54 milhões, na comparação com o mesmo mês do ano passado. No acumulado de 2026, a queda é de 0,67%, com total de US$ 2,82 bilhões, segundo levantamento da área de Inteligência de Mercado da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, com base em dados do Governo Federal.
De acordo com a entidade, apesar da retração, os números indicam que a demanda nos países do Golfo segue relevante, mesmo diante do aumento dos custos logísticos causado pelo fechamento do Estreito de Ormuz. A situação elevou despesas com fretes e seguros, além de exigir transbordos rodoviários e aéreos por milhares de quilômetros.
“Os exportadores encontraram soluções logísticas para colocar seus produtos na região, ainda que a custos maiores. E os mercados árabes, mesmo nessa situação, ainda geram receitas expressivas, especialmente nas categorias do agronegócio, das quais dependem para a segurança alimentar de suas populações”, afirma Mohamad Mourad, secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira.
Por Canal Rural.








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