Confinamento: custo alimentar cai 9,38porcento no Centro-Oeste em ago/26, diz ICAP/Ponta Agro

Custo em agosto foi de R$ 11,89 por cabeça/dia, o segundo menor valor de toda a série histórica

Confinamento: custo alimentar cai 9,38porcento no Centro-Oeste em ago/26, diz ICAP/Ponta Agro
ilustrativa

Em agosto/26, a queda do custo alimentar não foi suficiente para garantir maior lucratividade no confinamento do Centro-Oeste. Segundo o Índice de Custo Alimentar Ponta (ICAP), o custo alimentar recuou 9,38%, para R$ 11,89 por cabeça/dia, segundo menor valor de toda a série histórica. O ICAP é calculado a partir de dados de confinamentos monitorados por tecnologias da consultoria Ponta Agro.

Segundo a empresa, o maior tempo de cocho, que passou de 99 para 107 dias, e a menor produção, de 8,08 para 7,81 arrobas por animal, contribuíram para elevar o custo da arroba produzida no Centro-Oeste em 11,07%, para R$ 200,61, e reduzir a lucratividade em 13,63%, para R$ 983,18 por cabeça.

“A queda foi puxada principalmente pela dieta de terminação, que recuou 8,45%, para R$ 1.022,62/t MS, maior alívio mensal de 2026 na região. Os proteicos ficaram 24,85% mais baratos na ponderação e o DDG atingiu o menor preço do ano. Com isso, pela primeira vez desde fevereiro, a dieta de terminação do Centro-Oeste ficou mais barata que a do Sudeste, onde o custo foi de R$ 1.046,27/t MS (-1,96%)”, detalha a análise.

A redução do custo alimentar, porém, não se traduziu em maior lucratividade no Centro-Oeste: o lucro da arroba produzida recuou 13,63%, para R$ 983,18 por cabeça, influenciado pelo maior tempo de cocho, menor produção de arrobas e maior participação dos demais custos.

No Sudeste, diz a Ponta Agro, o movimento foi inverso, com alta de 1,59%, para R$ 1.163,88 por cabeça, maior resultado desde abril.

Visão trimestral dos insumos por região

No Centro-Oeste, o custo da dieta encerrou agosto 9,77% abaixo da média do trimestre maio-julho, com forte contribuição dos proteicos e energéticos.

Segundo a Ponta Agro, o avanço da safrinha ainda mantém importantes ingredientes abaixo da média recente, enquanto a maior participação de fontes proteicas de menor custo também favoreceu a composição da dieta.

⦁ Energéticos: -4,99%
⦁ Proteicos: -25,40%
⦁ Volumosos: +19,45%
⦁ Outros: -5,79%

Nos energéticos, o milho grão seco opera 11,9% abaixo da média trimestral, apesar da reação de preço registrada em agosto. Polpa cítrica (-9,3%) também contribuiu para o alívio.

Entre os proteicos, o farelo de algodão está 36,7% abaixo da média, enquanto o maior peso do WDG — fonte proteica de menor custo — ajudou a intensificar a redução da categoria.

Os volumosos seguiram na direção contrária, operando 19,45% acima da média trimestral, com destaque para silagem de milho (+10,9%), feno (+14,9%) e silagem de mombaça (+23,1%). Ainda assim, por serem componentes de menor custo relativo, a pressão não anulou a redução da dieta total.

No Sudeste, o custo da dieta encerrou agosto 5,04% abaixo da média do trimestre maio-julho, com os volumosos exercendo a principal pressão de baixa. Energéticos também permaneceram abaixo da média, enquanto os proteicos apresentaram leve alta.

⦁ Energéticos: -2,86%
⦁ Proteicos: +1,51%
⦁ Volumosos: -12,53%
⦁ Outros: -19,85%

Nos energéticos, polpa cítrica (-6,1%) e sorgo grão seco (-5,3%) ajudaram a reduzir o custo da categoria, enquanto o milho ainda opera 16,8% acima da média trimestral. Entre os proteicos, caroço de algodão (+10,6%), farelo de amendoim (+13,3%) e DDG (+3,1%) exerceram pressão de alta.

Nos volumosos, a queda de 12,53% está relacionada principalmente ao avanço do bagaço de cana no mix das dietas durante a safra canavieira. “Mesmo com seu preço unitário acima da média trimestral, o ingrediente segue como o volumoso mais barato e difundido na região, contribuindo para reduzir o custo ponderado da categoria”, relata o comunicado da Ponta Agro.