Depois de 3 anos de debate, surge o “Angus 50” no mercado australiano

Comitê aprova nova regra permitindo que animais com 50 porcento genética Angus ostente o nome da prestigiada raça de origem britânica

Depois de 3 anos de debate, surge o “Angus 50” no mercado australiano
Ilustrativa

Um novo termo será utilizado em âmbito comercial para definir animais criados e abatidos com 50% de genética Aberdeen Angus. Trata-se do “Angus 50”, também batizado de “Angus F1” ou “Angus composto”.

Tal decisão é resultado de um polêmico e longo debate – que se arrastou por três anos – sobre a questão das alegações de composição racial nas marcas da indústria de carne bovina australiana.

Foi “um dos processos mais polarizadores e, por vezes, desgastantes vistos na indústria nos últimos tempo”, observa reportagem publicada no portal da Beef Central (www.beefcentral.com).

Nesta semana, informa o site, o Comitê Australiano de Linguagem e Padrões da Indústria da Carne (AusMeat, na sigla em inglês) aprovou as diretrizes revisadas do Quadro de Alegações sobre Criação Animal para a Produção de Carne Bovina na Austrália, incluindo a aprovação formal de um requisito mínimo de 50% de conteúdo da raça Angus para uso comercial de carne bovina Angus.

Ou seja, nas descrições comerciais e de rotulagem, a carne bovina proveniente de gado com 50% de raça Angus não pode ser descrita simplesmente como “Angus” – só pode conter um dos três termos: ‘Angus 50’, ‘Angus F1’ ou ‘Angus composto’ (veja tabela publicada no portal da Beef Central ao final deste texto).

A AusMeat começará a realizar auditorias sob as novas regras a partir de 1º de julho/26.

A nova alegação de 50% de sangue Angus inclui critérios fenotípicos alinhados com as especificações publicadas pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) da American Angus Association para garantir consistência e acesso ao mercado.

Não haverá alterações nos padrões fenotípicos existentes para animais que atendam aos limites de conteúdo genético de 75% e 100%.

Segundo informa a Beef Central, termos semelhantes provavelmente surgirão para outras raças criadas na Austrália, nos casos em que os gestores de marca optarem por identificar a origem da raça.

Debates calorosos

A questão da alegação de conteúdo racial tem sido um dos tópicos mais controversos na indústria da carne bovina nos últimos tempos, recorda a reportagem.

Historicamente, na Austrália, as alegações de raça Angus têm sido limitadas a um mínimo de 75% de conteúdo racial; muitas das grandes processadoras de carne para exportação do país mantêm, há décadas, grandes programas de carne bovina da marca Angus, considerados seus principais produtos, com base nesse critério”, relata o texto.

Anteriormente, lembra a Beef Central, a visão de muitos desses proprietários de marcas era de que qualquer mudança para aceitar 50% de carne Angus rotulada simplesmente como “Angus” diluiria o valor de seus programas existentes – conquistado com muito esforço ao longo de muitos anos de atuação em mercados internacionais.

No campo oposto, continua a reportagem, os defensores da reforma argumentavam que o padrão mínimo de 75% de conteúdo racial colocava a carne bovina australiana em clara desvantagem em relação ao principal concorrente na exportação de carne bovina, os Estados Unidos, onde 50% tem sido o padrão de conteúdo da raça Angus por décadas.

Há três anos, o AusMeat criou um grupo de trabalho especial envolvendo todas as partes interessadas (processadores, confinadores, produtores de gado alimentado a pasto, órgãos reguladores e outros) para tentar encontrar uma solução viável.

“À medida que o problema se arrastava ao longo dos anos, tudo indicava que a indústria não conseguiria encontrar um consenso”, relembra a Beef Central.

Segundo o portal, uma versão inicial da proposta, que acabou sendo rejeitada pela AusMeat, permitiria que bovinos com 50% de sangue Angus ostentassem a designação “Angus”. A mensagem recebida de influentes confinadores e processadores na época foi que isso prejudicaria os preços da carne bovina proveniente de animais com 75% e 100% de genética Angus.

O modelo lançado nesta semana busca superar muitas dessas preocupações, enfatiza a reportagem.

Beef Central apurou que o resultado final anunciado hoje foi amplamente endossado por diversos setores da indústria.

Fonte: Beef Central