Multinacional de defensivos agrícolas prevê queda de até 88porcento na receita e anuncia redução de preços no Brasil
Americana FMC enfrenta estoques elevados, demanda abaixo do esperado e concorrência de genéricos; companhia projeta resultado operacional negativo e prepara mudanças para recuperar as vendas
A multinacional americana FMC, uma das maiores fabricantes de defensivos agrícolas do mundo, anunciou nesta quinta-feira (15) uma revisão de suas projeções financeiras para o terceiro trimestre de 2026. A companhia estima uma queda de até 88% na receita em comparação com o mesmo período do ano passado e prepara medidas para reduzir os preços de determinados produtos em mercados estratégicos, incluindo o Brasil.
Segundo informações publicadas pelo Globo Rural, a empresa projeta receita entre US$ 65 milhões e US$ 125 milhões no período, o que representa uma retração de 76% a 88% em relação ao terceiro trimestre de 2025. A estimativa para o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado também é negativa, variando entre US$ 565 milhões e US$ 510 milhões de prejuízo.
As projeções incluem um impacto estimado entre US$ 625 milhões e US$ 675 milhões, associado a medidas comerciais para reduzir os preços de produtos que permanecem nos estoques de distribuidores e à reformulação do modelo de vendas da companhia nos Estados Unidos.
Estoques elevados e concorrência pressionam resultados
De acordo com o diretor-executivo da FMC, Pierre Brondeau, a demanda por defensivos agrícolas ficou abaixo das expectativas durante o trimestre, enquanto o volume de produtos armazenados permaneceu elevado.
A situação foi agravada pela redução dos preços de mercado, influenciada, em parte, pelo aumento da concorrência de defensivos genéricos. Com isso, determinados produtos mantidos em estoque passaram a apresentar valores superiores aos praticados atualmente no mercado, dificultando sua comercialização aos produtores rurais.
Para enfrentar o problema, a companhia decidiu implementar medidas comerciais destinadas a reduzir os estoques e estimular a circulação dos produtos na cadeia de distribuição.
Brasil está entre os países que terão redução de preços
O Brasil, um dos principais mercados agrícolas do mundo, está entre os quatro países contemplados pelas medidas anunciadas pela FMC. A iniciativa também será aplicada na Argentina, nos Estados Unidos e no Canadá.
A estratégia prevê a redução dos preços de determinados defensivos agrícolas que já estão nos estoques dos distribuidores. O objetivo é facilitar a comercialização desses produtos e abrir espaço para novos pedidos.
Embora a medida envolva o mercado brasileiro, a companhia não detalhou quais defensivos terão os preços ajustados nem os percentuais de redução previstos.

Nos Estados Unidos, a FMC também pretende modificar sua política comercial. Atualmente, a empresa utiliza um modelo baseado em preços brutos elevados, acompanhados de descontos expressivos. A proposta é diminuir a diferença entre os valores brutos e líquidos, simplificando a estrutura de preços para os clientes.
A expectativa da multinacional é que as mudanças facilitem o escoamento dos estoques e favoreçam a retomada das compras pelos distribuidores.
Prejuízo e venda de ativos marcam recuperação financeira
A revisão das projeções ocorre após um segundo trimestre de resultados negativos. No período, a FMC registrou prejuízo líquido de US$ 187 milhões, pressionado pela queda dos preços e pela redução dos volumes comercializados.
Como parte dos esforços para fortalecer sua situação financeira, a companhia anunciou, no final de junho, a venda de uma participação minoritária de 20% para o grupo belga Tessenderlo Group. A operação movimentou aproximadamente US$ 403 milhões.
Ainda em junho, a empresa firmou um acordo de venda e posterior arrendamento de uma propriedade localizada em Newark, nos Estados Unidos, por US$ 114 milhões. Esse tipo de operação permite à companhia obter recursos financeiros com a venda do imóvel e continuar utilizando o espaço mediante contrato de locação ou arrendamento.
As iniciativas fazem parte das medidas adotadas pela FMC para reorganizar suas finanças em meio às dificuldades enfrentadas no mercado global de defensivos agrícolas.
O balanço financeiro completo do terceiro trimestre, acompanhado das perspectivas atualizadas para 2026, está previsto para ser divulgado em 29 de outubro.











