Venda da Rumo coloca futuro da maior ferrovia de MT sob os holofotes

A notícia desperta atenção em Mato Grosso porque a Rumo não é apenas mais uma concessionária.

Venda da Rumo coloca futuro da maior ferrovia de MT sob os holofotes
ilustrativa

 

Terminal ferroviário de Dom Aquino, da Rumo

Menos de uma semana depois de inaugurar, ao lado do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), o primeiro trecho da Ferrovia Estadual Vicente Vuolo, a Rumo Logística voltou aos holofotes por um motivo bem diferente: está oficialmente no radar do mercado.

Segundo a coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo, o Grupo Ultra desistiu da disputa pela compra da companhia, mas outros oito interessados continuam na corrida pelo controle da maior operadora ferroviária privada da América Latina.

A notícia desperta atenção em Mato Grosso porque a Rumo não é apenas mais uma concessionária.

Ela conduz a obra considerada a maior ferrovia atualmente em construção no país, um projeto de R$ 15 bilhões, que promete ligar Rondonópolis (212 km ao Sul de Cuiabá) a Lucas do Rio Verde (354 km ao Norte), passando por 16 municípios e com um ramal previsto para Cuiabá.

O primeiro trecho, entre Rondonópolis e Dom Aquino, acabou de ser entregue, após investimento de R$ 5 bilhões.

A eventual troca de comando, por si só, não altera contratos nem muda automaticamente o cronograma da obra. Ainda assim, a movimentação é acompanhada com lupa pelo setor produtivo e pelo Palácio Paiaguás.

Afinal, a ferrovia é tratada como peça-chave para reduzir o custo do frete, ampliar a competitividade do agronegócio e sustentar o crescimento da produção mato-grossense nas próximas décadas.

No mercado financeiro, a venda da Rumo é vista como parte da estratégia da Cosan - do empresário Rubens Ometto e controladora da Rumo -  para reduzir seu elevado endividamento.

Para Mato Grosso, porém, a preocupação é outra: garantir que o projeto continue avançando no mesmo ritmo.

Em um Estado que, há décadas, sonha em substituir parte dos caminhões pelos trilhos, pouco importa quem será o dono da empresa.

O que interessa é que a locomotiva não perca velocidade, antes de chegar ao destino.