BMG Foods pede recuperação judicial após acumular R$ 3,5 bi em dívidas
A BMG Foods protocolou pedido de recuperação judicial na Justiça do Paraná nesta semana, buscando proteção contra credores após acumular mais de R$ 3,5 bilhões em dívidas.
A BMG Foods protocolou pedido de recuperação judicial na Justiça do Paraná nesta semana, buscando proteção contra credores após acumular mais de R$ 3,5 bilhões em dívidas. A empresa, controlada pelo grupo paraguaio Concepción, já ocupou posição entre as cinco maiores produtoras de carne bovina do Brasil, mas viu sua situação financeira se deteriorar ao longo dos últimos meses.
O grupo Concepción, comandado pelo empresário brasileiro Jair Lima, expandiu suas operações por meio de diversas aquisições e arrendamentos financiados com capital de terceiros. Mas não conseguiu sustentar o custo elevado dessa dívida. A companhia chegou a devolver uma série de frigoríficos que mantinha arrendados no Brasil à medida que a crise se agravava.
Antes do pedido formal de recuperação judicial, a Justiça paranaense já havia concedido à BMG Foods uma tutela de urgência que suspendeu por 60 dias as execuções movidas por credores, período em que a empresa tentou negociar o passivo em um processo de mediação com 94 credores. A companhia relatou à Justiça um cenário de forte deterioração financeira, com mais de 1.500 títulos protestados somando cima de R$ 46 milhões e bloqueios judiciais superiores a R$ 7,5 milhões sobre contas e ativos.
Fornecedores e pecuaristas ficaram sem receber
A crise atingiu diretamente a cadeia produtiva ligada à BMG Foods. No Brasil, a empresa deixou dívidas com fornecedores, incluindo transportadoras que atendem a operação de carne suína mantida pelo grupo no Paraná. Pecuaristas também relataram falta de pagamento pelo gado entregue aos frigoríficos da companhia, e ações judiciais movidas por produtores rurais já somavam mais de R$ 960 mil somente em Mato Grosso do Sul, estado onde a empresa fechou unidades em meio à crise.

No maior credor individual do processo de recuperação judicial está o Bank of New York Mellon, que representa detentores de títulos de dívida (bonds) no valor de R$ 1,5 bilhão. A companhia é assessorada na recuperação judicial pelo escritório Guedes & Manocchio.
Crise ultrapassa fronteiras e atinge operações no Paraguai
O aperto financeiro não se limita ao Brasil. O grupo Concepción interrompeu pagamentos a credores internacionais e atrasou uma parcela de juros devida a detentores de bonds no Paraguai. A companhia paraguaia também deixou de honrar juros de uma linha de crédito junto ao Bank of America. Um movimento que, segundo apurações anteriores, já sinalizava o risco de um pedido de recuperação judicial ou extrajudicial.
Para conduzir as negociações com credores em diferentes países, o grupo contratou a consultoria financeira Pantalica Partners. Além de escritórios de advocacia especializados em reestruturação no Brasil, no Paraguai, na Bolívia e nos Estados Unidos. Em nota anterior, o Concepción afirmou buscar uma solução abrangente para suas obrigações em todas as jurisdições onde mantém operações. E que incluem também unidades na Bolívia.
O caso da BMG Foods reacende o debate sobre os riscos do endividamento no setor frigorífico brasileiro. Especialmente entre empresas que expandiram operações via arrendamento e aquisições em um cenário de boi caro e juros elevados. Fatores que também pressionaram outras companhias do setor nos últimos meses.












