Dólar em alta sustenta preços da soja no Brasil, apesar de quedas em Chicago

Valorização da moeda americana favorece cotações no mercado brasileiro, enquanto avanço da colheita nos EUA pressiona preços internacionais

Dólar em alta sustenta preços da soja no Brasil, apesar de quedas em Chicago
ilustrativa

O mercado brasileiro de soja deve encerrar a semana com preços firmes nesta sexta-feira (30), sustentado pela valorização do dólar frente ao real. O movimento cambial tem compensado parte das perdas registradas na Bolsa de Chicago, que acumula cinco sessões consecutivas de queda.

De acordo com o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, a sessão foi marcada pela firmeza das ofertas nos portos e pela maior participação das indústrias esmagadoras nas negociações do mercado interno.

“A alta recente do câmbio tem ajustado o mercado e pressionado as indicações dos compradores a subirem”, afirma Silveira.

Nos portos, os preços oferecidos para entrega imediata apresentaram condições mais favoráveis aos produtores, embora com prazos de pagamento alongados.

No interior, as indústrias esmagadoras também elevaram suas indicações de compra em algumas regiões, buscando garantir o abastecimento até dezembro. Em determinados mercados, os valores oferecidos superaram a paridade de exportação.

Preços da soja sobem até R$ 2 por saca

No mercado físico brasileiro, a quinta-feira foi marcada por valorizações de até R$ 2 por saca de 60 quilos, especialmente nos portos.

Confira as cotações apuradas pela Safras & Mercado:

Praça Preço da saca Variação
Passo Fundo (Rio Grande do Sul) R$ 153,00 +R$ 1,00
Santa Rosa (Rio Grande do Sul) R$ 154,00 +R$ 1,00
Cascavel (Paraná) R$ 149,00 +R$ 1,00
Rondonópolis (Mato Grosso) R$ 141,00 Estável
Dourados (Mato Grosso do Sul) R$ 143,00 +R$ 1,00
Rio Verde (Goiás) R$ 141,00 -R$ 1,00
Porto de Paranaguá (Paraná) R$ 160,00 +R$ 1,00
Porto de Rio Grande (Rio Grande do Sul) R$ 161,00 +R$ 2,00

Valores referentes à quinta-feira (29), segundo a Safras & Mercado.

Entre as praças acompanhadas, o Porto de Rio Grande apresentou a maior valorização, com avanço de R$ 2 por saca.

No interior, a maioria das regiões registrou altas de R$ 1, enquanto Rondonópolis manteve os preços estáveis. A exceção foi Rio Verde, onde houve recuo de R$ 1 por saca.

Soja em Chicago acumula cinco sessões de queda

Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros da soja continuam pressionados pelo avanço da colheita nos Estados Unidos, que amplia a disponibilidade da oleaginosa no mercado internacional.

Na manhã desta sexta-feira, o contrato com vencimento em novembro de 2026 registrava queda de 0,18%, cotado a US$ 12,17 e meio por bushel.

Caso as perdas sejam mantidas até o fechamento, a soja completará a terceira semana consecutiva de desvalorização na bolsa norte-americana.

O cenário contrasta com o mercado brasileiro, onde a alta do dólar tem contribuído para sustentar os preços pagos aos produtores.

Dólar sobe e favorece cotações no mercado doméstico

Por volta das 9h23 desta sexta-feira, o dólar comercial registrava valorização de 0,48%, negociado a R$ 5,4132.

A alta da moeda norte-americana aumenta a competitividade da soja brasileira no mercado externo e contribui para elevar os valores de referência em reais, mesmo diante das perdas observadas em Chicago.

Enquanto isso, os prêmios de exportação apresentaram apenas pequenas oscilações na quinta-feira.

Com esse cenário, a expectativa da Safras & Mercado é de que o mercado brasileiro mantenha as cotações firmes no encerramento de outubro, embora a movimentação comercial ainda deva ocorrer sem volumes expressivos.