Soja: veja os fatores que podem mover os preços

USDA e China entram no radar do mercado de soja

Soja: veja os fatores que podem mover os preços
ilustrativa

Segundo a análise “Direto do Campo”, da Grainsights, produzida pela Grão Direto nesta segunda-feira (10), o mercado de soja terá como principal referência nesta semana o relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), previsto para quarta-feira (12). O documento deve trazer novas estimativas para a produtividade da safra norte-americana, projetada em cerca de 3,5 toneladas por hectare, o que levaria a produção dos Estados Unidos para aproximadamente 120 milhões de toneladas. Os estoques finais também serão decisivos para os preços e para o posicionamento dos fundos. Uma redução para a faixa de 8 milhões de toneladas, associada aos impactos do calor de julho, poderia limitar a oferta e favorecer altas, enquanto uma revisão positiva da produção tende a ampliar a pressão sobre os contratos de novembro na CBOT. Nesse cenário, o “peso do relatório WASDE” será um dos principais fatores de atenção dos agentes.

O clima de agosto também deve continuar no centro das atenções, já que a soja norte-americana entra em uma fase crítica de enchimento de grãos. Segundo a análise, qualquer mudança nos modelos meteorológicos que indique o retorno da seca e de um bolsão de calor no Meio-Oeste dos Estados Unidos poderá estimular compras especulativas na CBOT. O material destaca que “a margem de erro biológica nas lavouras americanas nesta etapa é zero”, reforçando a importância das condições climáticas durante o desenvolvimento da cultura.

Outro fator de atenção será o ritmo das compras da Sinograin e de outras tradings estatais chinesas, considerado determinante para a sustentação dos prêmios nos portos brasileiros. Caso as relações comerciais entre China e Estados Unidos voltem a enfrentar ruídos tarifários, a expectativa apontada pela Grainsights é de manutenção da preferência chinesa pela originação nos terminais de Santos e Paranaguá, o que poderia sustentar indicações firmes de base (FOB) para a soja brasileira em agosto. No mercado asiático, os dados alfandegários mostraram que as importações chinesas permaneceram expressivas em julho, em um cenário de margens de esmagamento favoráveis e recomposição dos estoques estratégicos. Para a análise, esse movimento tende a reduzir a disponibilidade da oleaginosa no mercado internacional e dar suporte aos prêmios brasileiros.

A competitividade da Argentina também entra no radar do mercado de soja, principalmente no horizonte de longo prazo. O país formalizou um cronograma de redução das retenciones, os impostos de exportação, em 0,25% ao mês para a soja, com início previsto para 2027. Embora a medida não tenha efeito imediato sobre a oferta física da atual safra, a análise avalia que ela sinaliza às tradings multinacionais um estímulo contínuo ao escoamento dos estoques argentinos, o que pode aumentar a concorrência pelo mercado asiático.

A geopolítica do petróleo também deve ser acompanhada pelo setor. A instabilidade no Estreito de Ormuz e na região do Mar Negro pode provocar novos movimentos no petróleo Brent, com possíveis reflexos sobre as cotações do óleo de soja e, consequentemente, sobre as margens de esmagamento e a demanda pelo grão. De acordo com a análise, a valorização do petróleo associada às tensões no Oriente Médio e no Mar Negro tende a sustentar o mercado de óleo de soja e a reforçar a atratividade da produção de biodiesel no Brasil. O ambiente de margens mais favoráveis contribuiu para limitar o impacto da pressão vendedora dos fundos na CBOT sobre os preços da soja em grão.

Com esses fatores no radar, o mercado de soja inicia a semana atento principalmente ao relatório WASDE, ao comportamento do clima nos Estados Unidos e ao ritmo das compras chinesas. A concorrência argentina e os movimentos do petróleo completam o quadro de variáveis que podem influenciar as cotações. Para a Grainsights, o comportamento desses indicadores será importante para definir a direção dos preços tanto na CBOT quanto nos prêmios da soja brasileira ao longo dos próximos dias.