Alta dos fertilizantes reacende alerta para custos da próxima safra e exige atenção dos produtores

Ureia e fosfatados voltam a subir no mercado internacional em meio a restrições de oferta. Para a StoneX, cenário pode manter pressão sobre os custos da agricultura brasileira no segundo semestre.

Alta dos fertilizantes reacende alerta para custos da próxima safra e exige atenção dos produtores
ilustrativa

                                                                                                               (Foto: Plant Defender).

Depois de um primeiro semestre marcado pela retração nas compras e pela expectativa de recuo nos preços, o mercado de fertilizantes voltou a dar sinais de aquecimento. A ureia acumula semanas consecutivas de valorização no mercado internacional, enquanto os fertilizantes fosfatados também registram alta, indicando um cenário mais desafiador para produtores que ainda precisam adquirir insumos para a safra 2026/27.

Segundo o analista de Inteligência de Mercado da StoneXTomás Pernías, o movimento reflete uma combinação entre a retomada gradual da demanda global e, principalmente, as restrições na oferta provocadas pelo agravamento das tensões no Oriente Médio.

“O mercado global de ureia voltou a ganhar força nas últimas semanas, impulsionado tanto pela retomada da demanda quanto pelo aumento das tensões no Oriente Médio. Em 2026, são justamente as restrições de oferta que têm ditado o sentimento do mercado de fertilizantes nitrogenados”, afirma.

O fechamento do Estreito de Ormuz e as limitações aos portos iranianos reduziram a disponibilidade de nitrogenados no mercado internacional. Ao mesmo tempo, países como Brasil e Índia intensificam suas compras para atender ao calendário agrícola, contribuindo para sustentar as cotações.

Na avaliação da StoneX, esse cenário tende a manter os preços fortalecidos ao longo do segundo semestre, especialmente se persistirem as incertezas geopolíticas que afetam importantes rotas de exportação.

Pressão também chega aos fosfatados

As preocupações do mercado vão além da ureia. A escassez global de enxofre, matéria-prima essencial para a fabricação de fertilizantes fosfatados, também elevou os custos de produção e reduziu a oferta desses produtos.

Segundo Pernías, o aumento do preço do enxofre tem levado parte das indústrias a reduzir o ritmo de fabricação, o que amplia a pressão sobre fertilizantes como MAP, TSP e SSP.

“O mercado brasileiro tem sido duplamente afetado. Além das restrições logísticas provocadas pelo conflito no Oriente Médio, os custos elevados de produção dos fosfatados também reduzem a oferta global.”

Dependência externa mantém setor vulnerável

Apesar das iniciativas para ampliar a produção nacional de fertilizantes, o Brasil continua fortemente dependente das importações, situação que mantém o setor agrícola sensível às oscilações internacionais.

Para o analista da StoneX, aumentos nos preços FOB, no frete marítimo e no petróleo acabam sendo repassados ao custo final dos fertilizantes utilizados no país.

“O Brasil continua bastante vulnerável aos choques externos. Quando os preços internacionais sobem, todo esse impacto chega ao produtor rural.”

Embora o Plano Nacional de Fertilizantes busque reduzir essa dependência, Pernías lembra que a implantação de novos projetos industriais exige investimentos elevados e prazos longos até que os resultados sejam percebidos.

Cenário diferente da crise de 2022

Na avaliação da consultoria, o momento atual apresenta algumas semelhanças com os efeitos observados durante a guerra entre Rússia e Ucrânia, quando os fertilizantes nitrogenados registraram forte valorização.

A principal diferença, entretanto, está na composição do mercado. Enquanto em 2022 havia preocupação também com a oferta mundial de potássio, o cenário atual concentra os riscos nos nitrogenados e, principalmente, nos fertilizantes fosfatados.

Reflexos para o Tocantins

No Tocantins, onde a preparação para o plantio da soja começa a ganhar ritmo nas próximas semanas, a evolução dos preços dos fertilizantes é acompanhada de perto pelos produtores. O estado figura entre as principais fronteiras agrícolas do país e depende, assim como o restante do Brasil, da importação da maior parte dos insumos utilizados nas lavouras.

Além do impacto da alta internacional, o momento coincide com um cenário de maior cautela no campo. O crédito rural mais restrito, o aumento do endividamento de parte dos produtores e as margens mais apertadas das principais culturas têm levado muitos agricultores a postergar a compra dos fertilizantes, na expectativa de melhores condições de mercado.

Para a StoneX, apesar da recente valorização da ureia, a relação de troca com o milho permanece mais favorável do que a observada no início do ano. Ainda assim, a consultoria recomenda atenção ao planejamento das compras, já que a continuidade das tensões geopolíticas pode manter o mercado volátil nos próximos meses.