Reino Unido teme virar destino da carne bovina brasileira barrada pela UE

Setor pressiona governo local por maior controle sobre as importações da proteína vermelha produzida no Brasil

Reino Unido teme virar destino da carne bovina brasileira barrada pela UE
ilustrativa

Líderes do setor pecuário britânico alertam que a carne brasileira afetada pelas exigências mais rigorosas da União Europeia (UE) poderá ser redirecionada para o Reino Unido, informa reportagem publicada no portal do FarmingUK (www.farminguk.com).

Segundo o texto, a União dos Agricultores do Ulster está pressionando o governo a considerar controles mais rigorosos sobre a carne bovina, aves e outros produtos de origem animal brasileiros.

A intervenção surge na sequência da decisão da Comissão Europeia de retirar, a partir de setembro/26, o Brasil da lista de países autorizados a exportar determinados produtos de carne bovina para a UE.

A medida europeia está relacionada a preocupações com o cumprimento dos controles antimicrobianos e dos requisitos de rastreabilidade do rebanho brasileiro.

A UFU (sindicato de produtores rurais da Irlanda do Norte) quer que o governo do Reino Unido explique como irá responder antes que as alterações da UE entrem em vigor.

O governo também busca garantias de que quaisquer produtos brasileiros que entrem no Reino Unido cumprirão integralmente as normas nacionais de rastreabilidade, medicamentos veterinários e padrões de produção.

O sindicato dos produtores enviou cartas a todos os deputados da Irlanda do Norte, vários dos quais concordaram em levantar a questão ao Parlamento do Reino Unido.

As preocupações da entidade também foram levadas diretamente ao ministro do Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais (Defra), Stephen Morgan, por meio de correspondências e discussões.

O portal FarmingUK reproduziu declarações do vice-presidente da UFU, Clement Lynch: “Precisamos de garantias de que o Reino Unido não se tornará um destino para produtos que não conseguem mais acessar o mercado europeu devido a preocupações com rastreabilidade, controles antimicrobianos ou métodos de produção.”

Segundo Lynch, a UFU está particularmente preocupada com a entrada na cadeia de fornecimento nacional de produtos fabricados utilizando práticas que não seriam permitidas no Reino Unido, com destaque para os hormônios promotores de crescimento, que são proibidos na produção pecuária local.

“A possibilidade de carne bovina ou de aves produzidas com hormônios de crescimento entrar na cadeia de suprimentos da Irlanda do Norte e do Reino Unido em geral é extremamente preocupante”, ressaltou.

O sindicato afirmou que desejava garantias claras de que as importações atenderiam a padrões equivalentes aos exigidos dos agricultores nacionais.

“Seria completamente inaceitável que os agricultores locais fossem obrigados a cumprir esses altos padrões enquanto seus preços caem para produtos importados produzidos segundo padrões que não seriam permitidos aqui”, disse  Lynch, segundo a reportagem.

A UFU teme que produtos que não consigam acessar partes do mercado da UE possam ser redirecionados para outros lugares, aumentando a concorrência no Reino Unido.

“O Brasil é um grande exportador global, e mesmo um aumento relativamente pequeno no volume de carne bovina ou de aves que entra no Reino Unido poderia exercer ainda mais pressão para baixo sobre os preços pagos aos produtores”, afirmou Lynch.