Brasil deve confinar quase 10 milhões de bovinos em 2026 e sanidade ganha peso no pico de ocupação
Protocolo de entrada ganha importância
O avanço da pecuária intensiva brasileira coloca a eficiência sanitária no centro das decisões dos confinadores. A prévia do Censo de Confinamento 2026, da DSM-Firmenich, estima que o Brasil termine com cerca de 9,78 milhões de bovinos em sistemas confinados neste ano, crescimento de 5,7% frente aos 9,25 milhões registrados em 2025.
O movimento acompanha um processo mais amplo de intensificação. Segundo o Beef Report 2026, da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), os sistemas de confinamento e Terminação Intensiva a Pasto (TIP) já responderam por 23% dos animais abatidos em 2025. No mesmo ano, o país exportou 3,5 milhões de toneladas de carne bovina para 177 mercados, com receita recorde de US$ 18 bilhões.
Em agosto, a pressão sobre as operações de confinamento aumentou. Em média, os confinamentos chegam a julho próximos de 90% de sua capacidade estática e, no mês seguinte, podem operar perto de 100%. Com mais animais entrando no sistema e maior intensidade de manejo, falhas no processamento inicial podem comprometer o desempenho, a conversão alimentar e o resultado econômico ao longo de todo o ciclo.
“O protocolo de entrada concentra vários desafios ao mesmo tempo. O animal deixa o pasto, passa pelo transporte, pela formação de novos lotes, por mudança de ambiente e de dieta e chega a uma condição de maior densidade. Neste momento, precisamos estar atentos a verminoses, pneumonias, clostridioses, lesões decorrentes do transporte, refugo de cocho e distúrbios metabólicos, entre outros problemas”, explica Ingo Mello, Médico-veterinário e Gerente Técnico de Gado de Corte na Ourofino Saúde Animal.
Entre as principais preocupações está a Doença Respiratória Bovina (DRB), favorecida pela combinação entre estresse, transporte, mudanças ambientais e exposição a agentes infecciosos. Nesse cenário, a vacinação preventiva ganha importância por preparar o sistema imunológico antes que o desafio clínico se estabeleça.
“Animais corretamente vacinados chegam imunologicamente mais preparados para enfrentar os agentes envolvidos nos quadros respiratórios. Formulações capazes de oferecer uma cobertura mais ampla ajudam a reduzir os impactos de morbidade e mortalidade e, consequentemente, perdas com tratamentos e queda de desempenho”, afirma Mello.
Outro ponto decisivo é o controle de parasitas internos. Mesmo quando não há sinais clínicos evidentes, a carga parasitária pode causar inflamações e lesões no trato gastrointestinal, anemia e menor absorção de nutrientes.
“Um animal livre de parasitas apresenta maior eficiência biológica e consegue aproveitar melhor uma dieta que, no confinamento, foi formulada justamente para alta performance. Quando há comprometimento da absorção dos nutrientes, parte desse investimento nutricional deixa de ser convertida em peso e carcaça”, acrescenta o especialista.
Estresse também entra na conta
Além do protocolo sanitário, reduzir os efeitos do estresse durante a chegada e os manejos passou a fazer parte das estratégias de eficiência. Um estudo publicado em 2025 na Translational Animal Science, com participação de Ingo Mello, avaliou bovinos submetidos a diferentes condições de confinamento e identificou ganhos em desempenho, consumo e peso de carcaça com o uso de substância apaziguadora materna bovina, além de menor morbidade e mortalidade por doença respiratória em um dos experimentos.


A Ourofino disponibiliza no Brasil o FerAppease, modulador de comportamento indicado para momentos potencialmente estressantes, como transporte, mistura de lotes e vacinação. Dados técnicos divulgados pela companhia para aplicação na entrada do confinamento apontam retorno médio de R$ 5,09 para cada R$ 1,00 investido, associado a indicadores de desempenho e eficiência alimentar. O FerAppease também melhora o pH da carne, garantindo melhor qualidade de carne e reduzindo as taxas de desabilitação para exportação, muito mais rentabilidade valorizando a pecuária brasileira.
“Quando o confinamento está cheio, pequenas perdas individuais ganham escala muito rapidamente. Por isso, sanidade, bem-estar, manejo e nutrição precisam funcionar de forma integrada. O objetivo é fazer com que o animal entre bem, adapte-se mais rápido, mantenha o consumo e transforme melhor a dieta em ganho de peso e carcaça”, destaca Mello.
A companhia também atua na capacitação das equipes por meio do Programa Examina Corte, que reúne orientações e treinamentos sobre manejo racional, boas práticas sanitárias, ronda sanitária e outras demandas específicas das propriedades. A estratégia integra o trabalho da Ourofino para promover sanidade e produtividade na cadeia brasileira de proteína animal.
*Ingo Mello está disponível para entrevistas sobre protocolos sanitários de entrada, prevenção da Doença Respiratória Bovina, controle de verminoses, manejo do estresse e eficiência produtiva em confinamentos.












