Soja busca recuperação em Chicago com prêmios em alta e física firme no Brasil

Os prêmios de exportação da soja nos portos brasileiros operam no maior patamar do mês, revelando uma demanda internacional disposta a pagar mais pela commodity nacional.

Soja busca recuperação em Chicago com prêmios em alta e física firme no Brasil
Ilustrativa

Os prêmios de exportação da soja nos portos brasileiros operam no maior patamar do mês, revelando uma demanda internacional disposta a pagar mais pela commodity nacional. Enquanto Chicago tenta se recuperar da queda da véspera, o mercado físico segura os preços no Brasil com o dólar firme e a oferta apertada no curto prazo.

Mercado fisico da soja nas principais pracas

Praca/Referencia Preco (R$/sc 60kg) Variacao
Porto de Santos (disponivel) R$ 132,00 sem variação
Rondonopolis (paridade exportacao) R$ 118,73 sem variação
Oeste da Bahia (AIBA) R$ 115,75 estavel
Rondonopolis (disponivel) R$ 112,50 sem variação
Nao-Me-Toque/RS (Cotrijal) R$ 113,00 estavel
Castro/PR R$ 119,00 sem variação
Marechal Cândido Rondon/PR R$ 111,00 sem variação
Indicador Cepea/Esalq interior R$ 123,48 -0,02%
Sorriso/MT (disponivel) R$ 103,50 sem variação
Referencia IMEA, Cepea/Esalq, AIBA e Cotrijal

Premios de exportacao e indicadores futuros

Indicador Valor Variacao
Premio Porto Paranagua (junho) +0,25 US$/bu maior nivel da quinzena
Premio Porto Paranagua (julho) +0,30 US$/bu maior nivel da quinzena
Chicago Julho/26 US$ 11,86/bu -10,50 centavos
Chicago Julho/26 (intradiario) US$ 11,8925/bu +3,25 centavos
B3 Julho/26 (saca 60kg) US$ 26,22 +0,23%
Oleo de soja CME US$ 0,7436/lb +0,51%
Dolar comercial PTAX R$ 5,06 +0,73%
Referencia CME Group, B3, Cepea/Esalq e BCB

Silos de soja e estrutura portuaria para exportacao no Brasil

Estrutura de armazenagem e escoamento da safra de soja em Mato Grosso, maior estado produtor do pais

Prêmios de exportação sobem e reduzem desconto da base MT

Os prêmios pagos para embarque no Porto de Paranaguá fecharam ontem em +0,25 US$/bushel para junho e +0,30 US$/bushel para julho, o maior nível da quinzena. O avanço reflete a disputa por posição de embarque entre tradings que ainda precisam cobrir compromissos de exportação antes do pico da safra norte-americana, que começa a chegar ao mercado em setembro.

Com esse prêmio, a paridade de exportação para Rondonópolis, principal praça de escoamento de Mato Grosso, fica em R$ 118,73 por saca, segundo dados do IMEA de segunda-feira (25). Já o preço disponível na mesma praça está em R$ 112,50, o que significa uma margem de quase R$ 6 por saca entre o mercado interno e o valor FOB no porto.

Chicago opera em leve recuperação no pregão de hoje

Na Bolsa de Chicago (CME Group), o contrato Julho/26 fechou terça-feira (26) a US$ 11,86 por bushel, com baixa de 10,50 centavos, pressionado pela queda do farelo de soja e pelo avanço rápido do plantio nos Estados Unidos. O USDA informou que 72% da área prevista já foi semeada, bem acima da média histórica de 58% para esta época do ano.

Nesta quarta-feira, no entanto, os contratos ensaiam uma recuperação. Por volta das 12h (horário de Brasília), o vencimento julho era negociado a US$ 11,8925 por bushel, alta de 3,25 centavos na comparação com o fechamento anterior. O óleo de soja, que subiu 0,51% na véspera para US$ 0,7436 por libra-peso, sustenta o viés positivo do complexo com a demanda aquecida do biodiesel americano.

B3 acompanha o movimento e contratos futuros sobem

Na B3, o contrato futuro de soja com vencimento em julho de 2026 era negociado a US$ 26,22 por saca de 60 kg no início da tarde de hoje, uma alta de 0,23% sobre o ajuste anterior. O movimento acompanha a leve recuperação de Chicago e reflete a busca por proteção cambial por parte dos produtores que ainda não travaram toda a safra.

Diferencial entre regiões se acentua com logística no centro

O mercado físico brasileiro apresentou ontem um cenário de preços bifurcados. Enquanto as regiões próximas aos portos sustentam valores elevados, o Centro-Oeste enfrenta forte desconto logístico. No Porto de Santos, a saca disponível chegou a R$ 132,00, enquanto em Sorriso, no norte de Mato Grosso, o mesmo volume saiu a R$ 103,50.

A diferença de quase R$ 29 por saca entre Sorriso e Santos é explicada pelo frete rodoviário, que na rota Campo Novo do Parecis até Santos chega a R$ 500,69 por tonelada, segundo o IMEA. Esse custo equivale a aproximadamente R$ 30 por saca, o que inviabiliza negócios no spot para o produtor mato-grossense que depende do porto paulista.

No Paraná, o indicador Cepea/Esalq para o interior fechou a terça-feira a R$ 123,48 por saca, estável (-0,02%). Em Castro e Marechal Cândido Rondon o valor ficou em R$ 119,00 e R$ 111,00, respectivamente. Já no Rio Grande do Sul, a Cotrijal em Não-Me-Toque precifica a saca a R$ 113,00, sem variação. No Oeste da Bahia, a referência da AIBA é de R$ 115,75.

Dólar firme sustenta a ponta vendedora no Brasil

O dólar comercial opera em alta de 0,73% nesta quarta-feira, cotado a R$ 5,06, o que favorece a conversão dos preços internacionais para a moeda nacional. Com a moeda americana nesse patamar, o produtor brasileiro consegue manter a referência de preço mesmo com Chicago em queda no curto prazo. O câmbio é, hoje, o principal aliado da soja física no Brasil.

O que esperar para os próximos dias

O mercado da soja deve seguir dividido entre a pressão baixista do avanço do plantio nos EUA e o suporte da demanda firme nos portos brasileiros. O relatório semanal de exportações dos EUA, que sai amanhã, pode dar novos rumos aos preços em Chicago. Enquanto isso, o produtor brasileiro que precisa vender encontra melhores oportunidades nos contratos futuros da B3 e na trava cambial do que no mercado disponível do Centro-Oeste, onde o desconto logístico corrói a margem.

Agronews