Boi gordo: pressão de baixa no físico não afeta contratos mais longos da B3, que exibem forte ágio de R$ 20-25/@

Na última semana, o contrato com vencimento em nov/26 encerrou a sessão da B3 negociado em R$ 349,45/@, com prêmio de R$ 20,89/@ em relação ao mercado físico (R$ 328,56/@/Indicador Datagro)

Boi gordo: pressão de baixa no físico não afeta contratos mais longos da B3, que exibem forte ágio de R$ 20-25/@
ilustrativa

O comportamento recente dos contratos futuros do boi gordo na B3 evidencia mudanças nas expectativas dos preços nos meses finais do segundo semestre de 2026, observa a equipe de analistas da Agrifatto.

Enquanto as cotações da arroba continuam em ritmo de queda no mercado físico, a tela da B3 mostra recuperação ao longo desta segunda metade do ano, sobretudo em relação aos vencimentos mais longos — a partir de setembro/26, observa a consultoria.  

“Embora os contratos de curtíssimo prazo ainda indiquem pressão sobre os preços físicos, a magnitude dos deságios já é significativamente menor, sugerindo que grande parte do movimento de baixa pode estar precificada”, relata a Agrifatto. 

Segundo a consultoria, essa percepção é reforçada ao observar o movimento do contrato de novembro/26, que encerrou a última semana negociado a R$ 349,45/@ na B3, o que representou um forte ágio de R$ 20,89/@ em relação ao fechamento do mercado físico (R$ 328,56/@/Indicador Datagro).

No contrato com entrega em dezembro/26, encerrado em R$ 354,50/@, o prêmio é ainda maior: de R$ 25,94/@.

“Esse vencimento (contrato de novembro/26) registrou um aumento de 4,3% no número de contratos em aberto na B3 e apresentou uma desvalorização significativamente menor do que a observada nos contratos de julho e agosto, sinalizando que o mercado mantém uma perspectiva mais otimista para os preços no segundo semestre”, reforçam os analistas da Agrifatto. 

No mercado físico, viés de baixa ganha força

Segundo recorda a Agrifatto, o fim de junho/26 marcou o encerramento da sustentação dos preços físicos do boi gordo, enquanto o início de julho vem consolidando esse movimento de baixa. 

“Essa pressão decorre, principalmente, do aumento da oferta de animais terminados a pasto e da redução dos embarques de ‘boi-China’, reflexo do menor interesse momentâneo dos importadores chineses pela carne bovina brasileira”, relata a consultoria. 

Na última semana, ganharam força rumores sobre a adoção de férias coletivas em diversos frigoríficos do País. 

“Caso esse cenário se confirme, a tendência é de intensificação da pressão baixista no curto prazo, uma vez que a redução do ritmo de abates pode contribuir para o alongamento das escalas, mesmo diante da dificuldade das indústrias em recompor suas programações”, acreditam os analistas da Agrifatto.

Na última semana, o Indicador Datagro recuou 2,56% em relação ao preço observado na semana anterior, encerrando o período cotado a R$ 328,56/@. 

No mercado futuro, os contratos também registraram desvalorizações, com maior intensidade para os vencimentos de curto prazo. O contrato de julho caiu 1,89%, fechando a semana passada em R$ 327,70/@, enquanto o vencimento de agosto recuou 1,24%, encerrando a R$ 331,85/@.

A partir de setembro, as perdas foram mais moderadas: o contrato de setembro registrou queda semanal de 0,47%, fechando a R$ 335,90/@, e o contrato de outubro (V26) recuou 0,35%, encerrando a R$ 344,25/@.