Recorde nos portos aumenta pressão por controle operacional
Movimentação chegou a 1,4 bilhão de toneladas em 2025; tecnologia avança sobre acessos, cargas e áreas operacionais
Foto: Divulgação
O recorde de movimentação dos portos brasileiros amplia a complexidade das operações e coloca em evidência tecnologias destinadas ao controle de acessos, rastreamento de cargas, segurança e gestão das áreas portuárias. Em 2025, o setor movimentou 1,403 bilhão de toneladas, crescimento de 6,1% sobre o ano anterior e maior volume da série histórica da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).
Os portos públicos responderam por aproximadamente 497 milhões de toneladas, enquanto os terminais privados movimentaram pouco mais de 906 milhões. Santos permaneceu como o maior porto público do País, com 142,8 milhões de toneladas.
O crescimento ocorre em operações que já envolvem intenso fluxo de caminhões, trabalhadores, contêineres e equipamentos, aumentando a quantidade de informações que precisam ser processadas e cruzadas pelos terminais.
Na avaliação de Alexandre Krzyzanovski, diretor de Engenharia do Grupo Pumatronix, fabricante brasileira de tecnologias de monitoramento e identificação veicular, o aumento da complexidade das operações exige maior integração entre os sistemas dos terminais.
“Hoje, a operação exige um ecossistema integrado de tecnologias capaz de conectar controle de acesso, videomonitoramento, inteligência artificial, monitoramento ambiental e análise de dados em tempo real”, afirma.
Entre as aplicações que vêm sendo desenvolvidas para terminais portuários estão leitura automática de placas de veículos e identificação de contêineres, monitoramento por câmeras com inteligência artificial e cruzamento das informações com sistemas de controle de acesso.
As tecnologias permitem, por exemplo, identificar veículos parados em áreas inadequadas, obstáculos em vias internas, circulação de pessoas em locais restritos e outras ocorrências que possam interferir na segurança ou na produtividade.

Caminhões entram no monitoramento
Outra aplicação está no controle dos veículos pesados que entram e circulam pelos terminais. Sistemas de pesagem em movimento, conhecidos como HS-WIM (High Speed Weigh-in-Motion), permitem identificar excesso de peso sem exigir a parada do caminhão.
Além da fiscalização, a informação pode ser utilizada para controlar cargas sobre o pavimento e acompanhar a circulação dos veículos dentro da instalação.
Para cargas perigosas, câmeras térmicas associadas a sistemas de monitoramento podem identificar alterações de temperatura em veículos e contêineres e gerar alertas antes da entrada em determinadas áreas.
Condições meteorológicas também fazem parte desse conjunto de dados. Informações sobre vento, chuva, temperatura e umidade podem apoiar decisões relacionadas à atracação de embarcações, movimentação de guindastes e içamento de cargas.
Segundo Krzyzanovski, a integração dessas informações tende a ganhar espaço à medida que aumenta a digitalização dos terminais. “Quando conectamos diferentes tecnologias em uma única plataforma, deixamos de reagir aos problemas e passamos a antecipá-los”, afirma.













