Boi gordo deve ganhar fôlego e melhorar relação de troca com o milho
Gustavo Duprat, da Scot Consultoria, explica que a queda da arroba e a alta do milho reduziram a relação de troca em julho, mas a oferta enxuta de bovinos deve favorecer o pecuarista nas próximas semanas
A relação de troca entre boi gordo e milho piorou para o pecuarista paulista em julho. A combinação entre a queda da cotação da arroba e a leve alta do cereal reduziu o poder de compra do produtor, que passou a precisar de mais sacas de milho para adquirir uma arroba de boi gordo.
A análise foi apresentada por Gustavo Duprat, engenheiro agrônomo e analista de mercado da Scot Consultoria, durante o programa Terraviva DBO na TV de sexta-feira (31/7).
Segundo o especialista, apesar da piora registrada no mês, o cenário para o curto prazo tende a ser mais favorável ao pecuarista, impulsionado pela recuperação recente da arroba e pela oferta enxuta de bovinos terminados.
Queda da arroba e alta do milho reduziram o poder de compra
Na comparação entre junho e julho de 2026, a arroba do boi gordo recuou enquanto o milho registrou valorização, movimento que pressionou a relação de troca.
Segundo a Scot Consultoria, a saca do milho, considerando a base Campinas (SP), foi cotada em R$ 64,83 até 29 de julho, alta de 0,8% em relação ao mês anterior e de 1,6% na comparação com o mesmo período de 2025.
Já a arroba do boi gordo, considerada a prazo e livre de impostos em São Paulo, fechou o período em R$ 332,80, queda de 3,5% frente a junho. Na comparação anual, porém, o indicador ainda apresenta valorização de 10,7%.
Como resultado, a relação de troca piorou 4,2% em relação ao mês anterior, passando para 5,1 sacas de milho por arroba de boi gordo.
Relação de troca segue melhor que há um ano
Apesar do recuo observado em julho, Gustavo Duprat destaca que o cenário ainda é mais favorável do que o registrado no mesmo período do ano passado.
Segundo o analista, a relação de troca apresenta uma melhora de aproximadamente 9% na comparação anual, indicando que o poder de compra do pecuarista permanece superior ao observado em 2025.
O movimento de julho, explica ele, foi influenciado principalmente pela queda da arroba durante a primeira metade do mês.
“Apesar da valorização recente da arroba do boi gordo, principalmente nas duas últimas semanas de julho, as perdas no começo do mês, em decorrência de um receio do mercado frente à exportação e de uma demanda que vinha um pouco mais fraca, fizeram com que, na totalização do mês, a cotação acabasse ficando mais baixa.”
Demanda mantém milho firme
Mesmo com o avanço da colheita da segunda safra e uma oferta mais confortável do cereal, os preços do milho continuam sustentados pelo mercado doméstico.
Segundo Gustavo Duprat, esse comportamento contribuiu para o enfraquecimento da relação de troca ao longo de julho. “Apesar do avanço da colheita da segunda safra e da oferta mais confortável, a demanda interna tem mantido os preços consistentes desde o mês passado.”

Oferta enxuta de bovinos deve favorecer recuperação
Na avaliação da Scot Consultoria, a tendência para o curto prazo é de melhora na relação de troca.
O principal fator por trás dessa expectativa é o fortalecimento recente do mercado do boi gordo, sustentado pela oferta limitada de animais prontos para o abate em diversas regiões do País.
Segundo Gustavo Duprat, os frigoríficos seguem encontrando dificuldades para completar as escalas de abate, o que tem exigido pagamentos maiores para a compra de bovinos terminados.
“Nós temos observado, em diferentes praças pecuárias do Brasil, uma oferta enxuta de bovinos e uma necessidade de pagamentos maiores para aquisição da boiada.”
Com esse cenário, a expectativa é de que a recuperação da arroba melhore novamente o poder de compra do pecuarista em relação ao milho.
Assista ao programa completo
Confira abaixo à análise completa de Gustavo Duprat a partir do minuto 3:36.
No programa Terraviva DBO na TV de sexta-feira (31/7), você também confere a análise de Douglas Coelho, da Radar Investimentos, sobre os mercados do boi gordo e do milho, uma entrevista com Vanessa Porto, da dsm-firmenich, sobre pecuária de precisão e inteligência artificial no campo, o fechamento do mercado do boi gordo nas principais praças do País e uma reportagem especial com estratégias para enfrentar a seca nas pastagens.












