Trump e estreito de Ormuz: repercussões nos lácteos podem ir muito além das commodities
As hostilidades crescentes no Oriente Médio atingiram um novo ápice após as declarações do presidente norte-americano Donald Trump que confirmam um bloqueio naval no estreito de Ormuz. Entenda as possíveis repercussões do conflito no mercado brasileiro
As hostilidades crescentes no Oriente Médio atingiram um novo ápice após as declarações do presidente norte-americano Donald Trump que confirmam um bloqueio naval no estreito de Ormuz. Apesar das tentativas de negociação e cessar fogo entre as partes no começo de abril, EUA e Irã não chegaram a um acordo que aliviasse as tensões geradas em um dos principais canais mundiais de escoamento de commodities essenciais para o comércio internacional.
Sem trégua no conflito e nas negociações sobre armamento nuclear, Trump anunciou em uma rede social que bloqueará o estreito por completo e abordará os navios que pagaram taxas de liberação ao governo do Irã. Adicionalmente, o presidente norte-americano afirmou que realizará a remoção de qualquer explosivo remanescente nas águas da via naval.
Ainda que os EUA se comprometam a reabrir a circulação eventualmente, a situação gera pressão no trânsito de navios no local, repercutindo nos preços de commodities no mundo todo. Já na segunda-feira, quando o bloqueio de Trump passou a valer oficialmente, o preço do petróleo ultrapassou os US$100 por barril.

Os efeitos nos lácteos vão além do preço do diesel e fertilizantes no Brasil
Com um dos principais eixos de escoamento do petróleo fechado e a alta em potencial nos custos de frete, o leite em pó da Nova Zelândia passa a ser menos competitivo nos mercados da Argélia e do Oriente Médio, importantes compradores internacionais do produto. Dessa forma, estes mercados devem passar a buscar outros mercados que possam suprir sua demanda e que não estejam afetados diretamente pelas instabilidades no estreito.
Durante o último Fórum MilkPoint Mercado, Vitor Vieira, Trader de Commodities no Grupo Interfood, apresentou projeções que mostram Uruguai e Argentina como principais candidatos para suprir a demanda de leite em pó integral da Argélia e de outros mercados no Oriente Médio. Considerando um cenário onde os custos de frete da Nova Zelândia continuem a subir, ambos os países sul-americanos devem se tornar mais competitivos.
De acordo com Vitor, outro ponto que favorece as exportações do Uruguai e Argentina frente à Nova Zelândia é a aproximação do período de entressafra na Oceania, diminuindo a produção leiteira por lá em um período onde os sul-americanos tendem a já estar recuperados e mais prontos para suprir a necessidade do mercado.
Ao mesmo passo, Valter Galan, sócio da MilkPoint Ventures, também apontou no Fórum MilkPoint Mercado que os derivados lácteos de Argentina e Uruguai devem seguir competitivos no abastecimento do mercado brasileiro, o que pode manter o volume de importações brasileiras destes países
Desta forma, os agentes no mercado brasileiro devem permanecer em alerta para a competição pelo produto uruguaio e argentino e oscilações nos preços em decorrência disso e também em relação às exportações do Mercosul para outros países, que podem reduzir os volumes enviados ao nosso mercado.
A próxima edição do Fórum MilkPoint Mercado acontecerá no Dairy Vision 2026, trazendo uma leitura aprofundada sobre preço, risco, comportamento e cenários, conectando tendências globais às decisões que movem o mercado brasileiro no segundo semestre e em 2027.








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