Oferta restrita eleva preço do feijão-preto

Feijão-preto lidera altas com oferta restrita e estoques reduzidos

Oferta restrita eleva preço do feijão-preto
ilustrativa

O mercado de feijão manteve a trajetória de valorização na última semana, sustentado pela oferta mais ajustada e pela firmeza dos vendedores, segundo dados divulgados pelo Indicador Cepea/CNA. O movimento foi mais intenso para o feijão-preto, enquanto a cautela dos compradores limita altas mais fortes, especialmente para o feijão-carioca.

Segundo dados divulgados pelo Indicador Cepea/CNA, a produção nacional de feijão na safra 2025/26 está estimada em 2,95 milhões de toneladas, queda de 3,6%. Os estoques finais devem atingir apenas 98,1 mil toneladas.

No curto prazo, a oferta restrita tende a sustentar as cotações. Por outro lado, a postura cautelosa dos compradores pode limitar movimentos de alta mais intensos, principalmente no mercado de feijão-carioca.

Entre 10 e 17 de setembro, o feijão-carioca de melhor qualidade, classificado na peneira 12 e com nota 9 ou superior, apresentou predominância de valorização. No Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, os preços avançaram 4,49%, sustentados pela firmeza dos vendedores.

Na região da capital paulista, a saca de 60 kg foi negociada, em média, a R$ 342,91 no dia 16. Já em Barreiras (BA), a diferença entre os valores pedidos pelos vendedores e as indicações dos compradores restringiu a liquidez, resultando em leve queda de 0,16% no período.

Apesar da valorização recente, os compradores seguem cautelosos e realizam aquisições conforme suas necessidades imediatas. Segundo dados divulgados pelo Indicador Cepea/CNA, a menor disponibilidade tende a sustentar os preços no curto prazo, mas a resistência da demanda aos atuais patamares pode limitar novas altas.

Entre os lotes de feijão-carioca de qualidade intermediária, classificados com notas 8,0 e 8,5, também predominou o movimento de alta. No Noroeste de Minas Gerais, as cotações avançaram 4,99%, principalmente para grãos de coloração mais clara.

Em Sorriso (MT), porém, os preços recuaram 1,46%. Apesar da boa coloração dos lotes disponíveis, os níveis de umidade aumentaram a resistência dos compradores aos valores solicitados.

Segundo dados divulgados pelo Indicador Cepea/CNA, o comportamento reforça a seletividade do mercado. Características como coloração e umidade continuam relevantes para a formação dos preços e para a liquidez dos lotes.

O feijão-preto tipo 1 apresentou as maiores valorizações da semana. A presença mais ativa dos compradores, especialmente no Paraná, aumentou a disputa pelos lotes disponíveis.

Na Metade Sul e em Curitiba (PR), incluindo os Campos Gerais, as cotações avançaram 10% entre 10 e 17 de setembro. No Oeste Catarinense, os preços subiram 4,51%, favorecidos pela procura por grãos de melhor qualidade e pela baixa disponibilidade.

Em Itapeva (SP), a valorização alcançou 4,78%. O movimento ocorreu em um cenário de chegada de ofertas às indústrias e de avaliação sobre a necessidade de recomposição dos estoques.

A redução da produção nacional de feijão-preto na safra 2025/26 também contribui para o cenário de firmeza. Segundo dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção da variedade caiu 38,0% na primeira safra e 42,9% na segunda.

A menor produção restringe a disponibilidade doméstica e ajuda a explicar as maiores altas registradas pelo feijão-preto na última semana.